Prova de vida e a estúpida burocracia criadora de barreiras

Prova de vida e a estúpida burocracia criadora de barreiras

Não há resquício de empatia no tratamento que nosso País oferece a seus idosos, especialmente nas relações financeiras. Pior quando são pessoas com deficiência.

Luiz Alexandre Souza Ventura

19 de julho de 2019 | 16h34


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Descrição da imagem #pracegover: Idosa sentada em uma cadeira de rodas está de costas para a câmera, na área interna de um edifício, ao lado de um jardim, com a luz do sol ao redor. Crédito: Luiz Alexandre Souza Ventura.


Maria de Lourdes passou por dois AVCs e, aos 74 anos, enfrenta suas consequências, agravadas pela hidrocefalia, muito comum em idosos. Tem sequelas físicas e intelectuais, cada dia mais severas.

Recebe uma aposentadoria e a pensão do marido, que faleceu em 2016, dinheiro 100% usado nos cuidados com sua saúde: convênio, remédios, transporte ao consultório médico, fraldas geriátricas (100 unidades por mês) e outros detalhes que surgem vez ou outra.

Sempre foi ativa, trabalhadora, administradora da casa, operava milagres com a renda mensal, mas o corpo parou de funcionar e ela perdeu totalmente a autonomia, tornou-se dependente da única filha, que precisou dar um tempo na vida profissional para centralizar a atenção nas necessidades da mãe.

É o movimento universal da compensação, a constante troca de posições provocada pela fragilidade humana.

Uma vez por ano, Maria de Lourdes precisa comparecer à agência bancária para fazer a prova de vida. Vai dizer pessoalmente “ainda estou por aqui”. É um sacrifício, considerando seu estado atual.

Para que isso seja feito em sua casa, é necessário ir ao INSS e agendar, com apresentação de atestado atualizado que comprove impedimentos (documento que não considera a falta de acessibilidade para tal proeza). Burocracia burra e criadora de barreiras.

É nesse ponto que a empatia (existe?) precisa funcionar nas instituições públicas e, por que não, também nas empresas financeiras privadas (leia-se, os bancos).

São tantas pessoas na mesma situação de Maria de Lourdes que merecem tratamento mais digno, com uma breve visita para constatar que aquela pequena quantia mensal ainda tem endereço certo.

“Os bancos não estão nem aí para seus clientes, só querem o dinheiro”, é o que costuma-se dizer nesses momentos de dificuldades. E parace ser a verdade.

Você, certamente, pode relatar história parecida. No caso conhecido mais recente, um homem muito debilitado foi carregado até o banco (novamente, estúpida burocracia) e morreu no dia seguinte.

O processo da prova de vida que exige presença na agência bancária e não dá qualquer apoio ao cliente idoso é desumano, perverso e ultrapassado.

Quem tiver um mínimo de inteligência, e interesse, pode mudar isso.

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