Regus e iigual unidas para ampliar a inclusão no mercado de trabalho

Regus e iigual unidas para ampliar a inclusão no mercado de trabalho

Meta é fortalecer a importância da diversidade no ambiente corporativo, com maior participação de pessoas com deficiência, mulheres, jovens, idosos, profissionais de diferentes etnias, identidades de gênero e orientações sexuais. Parceria pode influenciar 28 mil empresas no País.

Luiz Alexandre Souza Ventura

30 de julho de 2019 | 06h59


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Descrição da imagem #pracegover: Andrea Schwarz, cofundadora da iigual, e Tiago Alves, CEO da Regus no Brasil, estão em cadeiras de rodas, um de costas para o outro, sorrindo e olhando para a câmera. Ao fundo, um mural com um manifesto escrito em inglês sobre ambientes compartilhados e criativos de trabalho. Crédito: Divulgação.


Diversidade é palavra de ordem no mercado corporativo atual, no Brasil e no mundo. Apesar de ser uma bandeira considerada fundamental na maioria das empresas, os processos de inclusão ainda são falhos e restritos, deixando de fora profissionais competentes que poderiam ajudar companhias a transformar seus ambientes de trabalho e melhorar produtos e serviços.

Para ampliar a inclusão real no mercado de trabalho, as empresas Regus e iigual uniram forças.

A parceria se formou depois que Jaques Haber e Andrea Schwarz, fundadores da iigual – consultoria 100% brasileira especializada em inclusão e diversidade no mercado de trabalho -, visitaram um dos prédios da Regus – multinacional que tem a maior rede de espaços de trabalho e coworking do mundo – e conheceram Arthur, um cãozinho sem raça definida que passou a viver no edifício, em São Paulo, após ser adotado por Tiago Alves, CEO da Regus no Brasil.

“Idéias geniais costumam ser as mais simples”, compartilhou Haber no Linkedin, post que gerou uma mensagem de Tiago Alves sugerindo a parceria.



A meta do trabalho conjunto é fortalecer a importância da diversidade no ambiente corporativo atual, com maior participação de pessoas com deficiência, mulheres, jovens, idosos, profissionais de diferentes etnias, identidades de gêneros e orientações sexuais.

“Inclusão e diversidade são conceitos complementares. A diversidade é algo real, que existe. E a inclusão, nós precisamos construir”, afirma Jaques Haber.

“Trabalhamos a inclusão conectados com os tempos atuais. Esse movimento não é estático, ele evolui, especialmente nesse momento de ‘informação 4.0’, no qual todos estão em contato com todos, expressando suas opiniões, cada um é uma mídia”, diz o consultor.

A iigual atua no recrutamento e seleção de pessoas com deficiência para o mercado de trabalho, orienta seus clientes sobre o desenvolvimento e a condução dos programas de inclusão, presta consultoria sobre recursos de acessibilidade, apresenta palestras e ministra cursos sobre os aspectos culturais desses processos.

Com 28 mil empresas que são clientes ativos hoje, somente no Brasil – média de 400 por prédio no País -, a Regus administra espaços de trabalho e escritórios prontos em todo o mundo. Nasceu em Bruxelas, na Bélgica, em 1989, e tem sede em Luxemburgo. Mantém espaços de trabalho em cidades, aeroportos, postos de serviço, edifícios públicos, estações de trem e outros locais.

NA PRÁTICA – “Em nossa primeira experiência juntos, pedimos ao Tiago (que tem 2 metros de altura) para usar uma cadeira de rodas e tentar se locomover pelas calçadas na área onde ele trabalha (região da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, na zona sul de São Paulo)”, conta Haber.

“Como os clientes da Regus compartilham seus espaços de trabalho com várias pessoas, de diversas empresas diferentes, muitas vezes na mesma bancada, ficou claro que a compreensão sobre a diversidade e sua importância precisa ser fortalecida, para ampliar o respeito ao próximo”, explica o cofundador da iigual.


Descrição da imagem #pracegover: Cópia de trecho de vídeo no qual Andrea Schwarz, cofundadora da iigual, e Tiago Alves, CEO da Regus no Brasil, estão em cadeiras de rodas e testam acessibilidade nas calçadas e no prédio da Regus que fica na Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, na zona sul de São Paulo. Vídeo original foi publicado no perfil de Jaques Haber no Linkedin (clique aqui para acessar o post completo). Crédito: Reprodução.


NOVA ECONOMIA – Para o CEO da Regus, Tiago Alves, o desafio atual do coworking, por suas características contemporâneas de trabalho, é oferecer espaços cada vez mais modernos, inovadores e acessíveis.

A empresa fatura R$ 500 milhões no Brasil por ano (no mundo são US$ 25 bilhões). O grupo brasileiro tem 330 funcionários, espalhados em várias unidades, emprega mais colaboradores com deficiência do que o número exigido pela Lei de Cotas, é premiada por suas práticas inclusivas.

“A primeira fase do nosso programa de inclusão ampliou a diversidade nos ambientes de trabalho da empresa”, comenta o CEO, que tem uma deficiência visual.

“Quando começamos a trabalhar a inclusão específica de pessoas com deficiência, percebemos que há pouca quantidade de profissionais disponíveis, existem muitas barreiras para essa contratação, inclusive na questão da qualificação, e essas pessoas passam muito tempo no transporte público, duas ou três horas em cada viagem, para chegar ao local de trabalho”, comenta Alves.

“A proposta do trabalho conjunto entre Regus e iigual é criar ambientes nos quais todas as pessoas tenham condições plenas de trabalho, que se sintam bem naquele espaço e que possam trabalhar perto de suas casas, tentando evitar grandes períodos de descolamento”, ressalta o executivo.

“Abordamos um de nossos clientes, que é uma grande corporação, e perguntamos sobre seus processos de inclusão e sobre o presença de pessoas com deficiência em seus escritórios. Na resposta, essa empresa destacou várias dificuldades. Então, explicamos que aquele funcionário pode trabalhar em 35 locais diferentes (somente na capital paulista e na Grande SP)”, diz Tiago Alves.



“O que é exigido por lei nós cumprimos”, garante o CEO da Regus. “Nas ruas, as pessoas com deficiência não encontram a acessibilidade determinada na legislação. Quando fiz a experiência na cadeira de rodas, não consegui dar a volta no quarteirão”, relata.

PRECONCEITO – Tiago Alves conta que, entre as ações que buscam ampliar o conhecimento sobre a diversidade, ele foi a reuniões em clientes que não o conheciam usando uma cadeira de rodas e, em certo momento, se levantava.

“A reação é de espanto. Então, eu pergunto se minha condição física modifica alguma coisa na nossa relação. É uma provocação”, explica.

RESULTADOS – O executivo afirma que a parceria com a iigual já começou a ter reflexo entre seus clientes. “Recebi pedidos sobre orientações e capacitação para melhorar o cenário em seus locais de trabalho e aprimorar o processo de inclusão”, celebra o CEO da Regus.

“De maneira geral, empresas buscam pessoas com deficiência que estejam capacitadas para exercer a função que foi oferecida. Ainda são desconsiderados nesse trâmite os obstáculos que o profissional com deficiência encontrou para se qualificar, que os acessos e as oportunidades não são equivalentes”, diz Alves.

Eu conheço essa realidade. Tenho um primo que usa cadeira de rodas e, quando o levei para prestar vestibular, o prédio não tinha elevador. Se não fosse possível carregá-lo, ele não faria a prova e não entraria na universidade”, desabafa.

“Há sim barreiras para a captação de pessoas com deficiência. No caso da Regus, o domínio do inglês, do idioma, é fundamental. É difícil encontrar pessoas com deficiência disponíveis para contratação que sejam bilíngues. Então, o que nós fazemos é investir nessa capacitação, incluindo de fato o profissional, fazendo com que se sinta parte do grupo”, completa o executivo.

COWORKING PARA INCLUSÃO – A parceria entre Regus e iigual prevê a construção de um espaço especializado no desenvolvimento de práticas inclusivas, provavelmente na torre integrada ao Shopping Eldorado, em São Paulo.

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