Revisão cognitiva e a acessibilidade total

Revisão cognitiva e a acessibilidade total

A especialidade de Paulo Monte Alegre garante acesso integral de pessoas com deficiência a textos, imagens e sons, em qualquer lugar. Ele explica porque uma pequena mudança pode alterar toda a percepção.

Luiz Alexandre Souza Ventura

13 de abril de 2015 | 08h30

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O que você precisa saber sobre pessoas com deficiência

Paulo Monte Alegre é especialista em revisão cognitiva. Foto: Iguale

Paulo Monte Alegre é especialista em revisão cognitiva. Foto: Iguale

A criação de recursos inclusivos exige especialização e conhecimento, com avaliação permanente de eficiência e qualidade. Cada vez mais, empresas buscam aproximação com o público formado por pessoas com deficiência, mas essa relação carece de mecanismos específicos.

Fundamental é haver compreensão total sobre como cada deficiência interfere no acesso ao conteúdo exibido na TV, no cinema, no teatro, em manifestações culturais, artísticas e até na apresentação de notícias.

Neste sentido, a revisão cognitiva é fundamental, porque respeita aspectos únicos, que só existem no cotidiano de quem usa olhos, ouvidos e outros sentidos de forma, digamos, não habitual.

“Uma pessoa com visão normal pode imaginar que tais explicações são claras para que tem deficiência visual, quando não são. Especialmente dada a diversidade de tipos de deficiência visual e em qual fase da vida ocorrem, além de perfis culturais e educacionais”, afirma Paulo Augusto Colaço Monte Alegre, consultor e revisor cognitivo de audiodescrição.

Segundo o especialista, que é cego, profissionais que atuam neste setor precisam entender o significado da diversidade. “No caso da deficiência visual, por exemplo, existem pessoas com baixa visão, outras que perderam a visão, mas têm memória das cores, além das diferentes formações educacionais”, explica.

O consultor considera fundamental haver formação cultural adequada ao conteúdo revisto. “A principal diferença entre um projeto com revisão e outro sem, é que o trabalho sem revisão tende a ignorar detalhes perceptíveis por alguém que conhece a deficiência visual na experiência cotidiana, nas atividades diárias, na escola, no trabalho, nos momentos de lazer, no contato com diversas mídias”, diz.

Paulo Monte Alegre ressalta que, nos projetos de informação visual, pode haver descrição de imagens em produtos audiovisuais, fotos, desenhos, pinturas, esculturas, obras arquitetônicas em livros, revistas, ou em espaços expositivos. “Os materiais didáticos para crianças, jovens e adultos tem uma grande carência de audiodescrição e outras adaptações acessíveis”.

Entre muitos trabalhos realizados para a Iguale, empresa especializada em comunicação de acessibilidade, o consultor destaca a biografia musical de vida e obra da cantora Elis Regina para o espetáculo ‘Elis, A Musical’. “Foi importante e desafiador, porque havia elementos cênicos muito diversos, como dança e representações de programas de televisão. Isso exigiu uma audiodescrição mais sintética, para não atrapalhar a experiência musical da plateia e não suprimir informações essenciais”.

Ele também lembra com especial atenção do material da campanha ‘Incluir Brincando’, produzido pela TV Cultura e pela Vila Sésamo, que considera inclusivo e divertido, mas que exigiu enorme poder de síntese.

Mauricio Santana, diretor da Iguale, explica em quais recursos a revisão é fundamental para a excelência do produto final. “A Língua Brasileira de Sinais (Libras), as legendas open caption e closed caption, a audiodescrição e a acessibilidade web”, diz.

Libras e legendas são voltadas para pessoas com deficiência auditiva. A audiodescrição – que é a tradução do visual para o verbal (intersemiótica) -, tem foco em deficiências visuais e intelectuais. A acessibilidade web serve para todos os públicos, fortalecendo usabilidade e navegabilidade.

Equipe da Iguale após o trabalho realizado no espetáculo 'Chacrinha, O Musical'. Foto: Reprodução

Equipe da Iguale após o trabalho realizado no espetáculo ‘Chacrinha, O Musical’. Foto: Reprodução

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