Sanções à Rússia bloqueiam recursos de instituições que cuidam de pessoas com deficiência na Ucrânia

Sanções à Rússia bloqueiam recursos de instituições que cuidam de pessoas com deficiência na Ucrânia

Entidades que apoiam 14 mil famílias não conseguem acessar contas bancárias ou sacar dinheiro em caixas eletrônicos; Assembleia Nacional das Pessoas com Deficiência da Ucrânia lançou apelo global pela paz.

Luiz Alexandre Souza Ventura

02 de março de 2022 | 17h34

Foto de cédulas de hryvna, a moeda ucraniana, sendo sacadas em um caixa eletrônico.

Bancos de proprietários russos estão bloqueados. Foto: Reprodução.


As sanções internacionais impostas à Rússia, em resposta aos ataques à Ucrânia, já afetam as instituições ucranianas que cuidam de pessoas com deficiência. De acordo com a Inclusion Europe e a Coalizão para a Proteção dos Direitos das Pessoas com Deficiência Intelectual (VGO Coalition), as contas bancárias das entidades estão bloqueadas e não é possível sacar dinheiro em caixas eletrônicos.

“Nossa rede tem 118 organizações para pessoas com deficiência intelectual, representando 14 mil famílias de todas as regiões da Ucrânia. Uma integrante da VGO nos telefonou para informar que bancos de proprietários russos estão bloqueados por sanções e as associações locais que têm contas nesses bancos não consegue acessar às suas contas bancárias”, afirma a Inclusion Europe.

No comunicado publicado nesta quarta-feira, 2, o grupo diz que famílias de pessoas filhos com deficiência, principalmente crianças, estão vivendo em banheiros ou porões para se protegerem das bombas.

“Não é possível sair de Kiev. As estradas são destruídas ou bloqueadas. Um carro marcado com o sinal de deficiência foi baleado e pessoas morreram. Em uma cidade, as pessoas foram convidadas pelos russos, por alto falante, para buscar pão, mas quando saíram, foram capturadas”, destaca o comunicado.

Fim da guerra – Também nesta quarta-feira, 2, a Assembleia Nacional das Pessoas com Deficiência da Ucrânia (HAIY), que reúne mais de 100 organizações no país, lançou um apelo às organizações de pessoas com deficiência, publicado pelo Fórum Europeu da Deficiência (EDF), no qual pede apoio, ajuda humanitária e união de esforços para acabar com a guerra.

“Diferentes organizações, incluindo ex-soldados, forças de pacificação e veteranos sabem melhor do que ninguém sobre os horrores causados ​​pela guerra. Pedimos que sejam nossa voz em seus países. Apelamos a vocês, para que nos apoiem em nossa luta pela paz. Nós queremos paz”, enfatizou a HAIY.


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