São Paulo sabe atender pessoas com deficiência?

Luiz Alexandre Souza Ventura

07 de junho de 2013 | 11h04

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O que você precisa saber sobre pessoas com deficiência

A situação imposta a Marcelo Rubens Paiva pela Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo e pela Secretaria Municipal de Transportes comprova o absoluto atraso do Brasil no tratamento às pessoas com deficiência. E, tão próximo de abrigar dois grandes eventos de repercussão internacional, deixa em dúvida se a capital paulista sabe atender essa população.

Marcelo é tetraplégico e usa uma cadeira de rodas. Tem todos os documentos necessários para estacionar seu carro nas vagas reservadas para pessoas com deficiência. Ainda assim, ele precisa recorrer à Justiça para provar que tem esse direito. E, engessada em uma mentalidade burocrática que trata pessoas como coisas, a administração municipal rejeita todos os argumentos desse cidadão, inclusive fotos e o próprio cadastro do Cartão Defis.

Para sustentar tal negação, o Departamento de Operação do Sistema Viário (DSV) afirma que “o condutor não portava o cartão em área visível no carro”.

Em sua página na internet, a CET informa que o Cartão DeFis é destinado a “pessoas com deficiência física nos membros inferiores, pessoas com deficiência decorrente de incapacidade mental e pessoas com mobilidade reduzida temporária”. O local considerado correto e visível para deixar o documento no carro não é informado.

Fiscalização é fundamental e punir quem ignora o direito alheio é totalmente necessário, mas qual visibilidade desse cidadão um agente da CET precisa ter para comprovar que trata-se de uma pessoa com deficiência? Ver essa pessoa sentada em uma cadeira de rodas não é suficiente?

Passei esta quinta-feira tentando fazer essas perguntas à Secretaria Municipal de Transportes e à Companhia de Engenharia de Tráfego. Não obtive nenhuma resposta.

Em recente entrevista a este blog e à TV Estadão, a secretária Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Marianne Pinotti, afirmou que existe total comunicação e parceria entre sua pasta e as outras secretarias da gestão Haddad para tornar São Paulo uma cidade totalmente acessível até 2014.

O caso de Marcelo Rubens Paiva coloca em cheque essa acessibilidade prometida, desmonta a ideia de que a Prefeitura de São Paulo entende suas responsabilidades e deixa claro a necessidade urgente de orientar e capacitar todos os profissionais envolvidos no atendimento às pessoas com deficiência.

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