“Somos todos brasileiros, paralímpicos ou olímpicos”

“Somos todos brasileiros, paralímpicos ou olímpicos”

Terezinha Guilhermina é uma potência do esporte. Atleta cega mais rápida do mundo, é tricampeã paralímpica e recordista mundial dos 100m, 200m e 400m. "Sou tão atleta como qualquer outra, a diferença é que não enxergo", diz.

Luiz Alexandre Souza Ventura

05 Setembro 2016 | 14h25

Terezinha Guilhermina é o maior nome brasileiro do atletismo paralímpico. Atleta cega mais rápida do mundo, coleciona títulos. E chega aos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro como uma favorita à medalha de ouro.

“A meta é superar minhas marcas e resultados de Londres. As expectativas são as melhores possíveis. Fazer o que estou treinando, com foco, e pensando também no próximo ciclo, em Tóquio”, diz Terezinha, que convoca a torcida brasileira para dar apoio aos atletas.

Os Jogos do Rio, avalia Terezinha Guilhermina, devem provocar uma mudança de mentalidade, para que a sociedade seja menos preconceituosa e mais inclusiva, independente das deficiências dos atletas. “São todos brasileiros, paralímpicos ou olímpicos. Já temos Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, que ajuda e prepara atletas para se tornarem competitivos”, diz.

E o tal ‘exemplo de superação’, o retrato do ‘herói’, abordagem habitualmente usada pela mídia em geral quando um atleta com deficiência se torna conhecido, diminuindo todo o treinamento, empenho, fibra e qualidades desse atleta?

“Não concordo com a questão da superação. Sou tão atleta como qualquer outro, a diferença é que não enxergo. Tenho o direito de errar. Trabalho muito para acertar, minimizar os erros. Falta maturidade à sociedade. Somos tão humanos como qualquer outro e a deficiência não nos impede de fazer tudo bem feito”, afirma.

Terezinha Guilhermina nasceu em 3 de outubro de 1978, em Betim/MG. Ganhou as medalhas de ouro (100m, 200m e 400m rasos) no Parapan de Toronto 2015, ouro (100m e 200m rasos) nos Jogos Paralímpicos de Londres 2012, ouro (100m, 200m e 400m rasos) no Parapan de Guadalajara 2011, ouro (200m), prata (100m) e bronze (400m) nos Jogos Paralímpicos de Pequim 2008, ouro (400m rasos) na Golden League IAAF (França 2008), ouro (100m, 200m e 400m rasos) com novo recorde mundial para a categoria T11 no Parapan do Rio de Janeiro 2007, levou o ouro e bateu o recorde mundial (100m rasos) e ganhou as medalhas de ouro (200m e 400m rasos) no Mundial da IBSA (São Paulo 2007), além do bronze (800m) nos Jogos Paralímpicos de Atenas 2004.


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Começou a praticar esporte em 2000, em um projeto da prefeitura de Betim que oferecia natação e atletismo. Optou pela natação porque tinha maiô, mas não tinha tênis. “Quando minha irmã soube, me deu um par de tênis e fui para o atletismo. Quando comecei, não tinha guia, não tinha alimentação adequada, meu tênis gastou rápido. Eu insistia, trocava o calçado de pé, e acabei ficando com alguns problemas que me levaram à fisioterapia”, conta.

O primeiro patrocínio surgiu em 2006. E Terezinha passou a se dedicar à alta velocidade. Mudou-se para São Paulo em 2012. “Sempre sonhei em ser a melhor do mundo. Isso conseguiria mudar minha história. Fiz o melhor, acreditando que era possível chegar aos meus recordes mundiais. Não é a primeira vez que sou favorita. Sou a minha grande adversária”, conclui a atleta.

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