“Situação das pessoas com deficiência na Ucrânia é terrível”, diz Fórum Europeu da Deficiência

“Situação das pessoas com deficiência na Ucrânia é terrível”, diz Fórum Europeu da Deficiência

EDF publicou carta aberta a instituições, chefes de Estado e à OTAN. Ucrânia tem 2,7 milhões de habitantes com deficiência.

Luiz Alexandre Souza Ventura

25 de fevereiro de 2022 | 11h53

Foto de uma grande manifestação de pessoas com deficiência na Ucrânia.

“Abrigos são inacessíveis e as pessoas com deficiência são forçadas a ficar em casa, sem saber onde podem ir para ficarem seguras”, alertou o European Disability Forum (EDF).


“Em qualquer situação de crise ou conflito, as pessoas com deficiência enfrentam um risco desproporcional de abandono, violência, morte e falta de acesso à segurança, assistência e apoio à recuperação”, afirmou o European Disability Forum (EDF), o Fórum Europeu da Deficiência, nesta quinta-feira, 24, em carta aberta ao chefes das instituições europeias, aos chefes de Estado europeus, russos e ucranianos e à OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

“As mulheres com deficiência estão em maior risco de violência sexual e as crianças com deficiência estão mais expostas ao abuso e à negligência. As informações cruciais sobre segurança e evacuação são muitas vezes inacessíveis, e os próprios centros de evacuação também raramente são acessíveis, o que significa que as pessoas com deficiência são muitas vezes deixadas para trás”, diz o documento.

De acordo com o EDF, existem 2,7 milhões de pessoas com deficiência registradas na Ucrânia. “Nossos contatos no país confirmaram que a situação das pessoas com deficiência é terrível. Por exemplo, os abrigos em Kiev são inacessíveis, então as pessoas com deficiência são forçadas a ficar em casa, sem saber onde podem ir para ficarem seguras”, alertou a instituição.

O Fórum afirmou ainda que as pessoas com deficiência em instituições, já isoladas de suas comunidades, correm o risco de serem abandonadas e esquecidas. “Só na Ucrânia, pelo menos 82 mil crianças com deficiência são segregadas e inúmeros adultos com deficiência permanentemente institucionalizados”.

O apelo do EDF também é endereçado a lideranças políticas e atores humanitários que com a crise para garantir que as pessoas com deficiência tenham acesso total a ajuda humanitária; sejam protegidas de violência, abuso e maus tratos; tenham acesso a informações sobre protocolos de segurança e assistência, procedimentos de evacuação e suporte; tenham acesso a serviços básicos, incluindo água e saneamento, apoio social, educação, saúde e transporte; sejam contabilizados e não abandonados; que sejam adotadas medidas de realocação e evacuação, e que todas as pessoas com deficiência façam parte todas as ações humanitárias, por meio de suas organizações representativas.

O European Disability Forum pede ainda atenção especial a mulheres, crianças, pessoas cegas e surdocegas, pessoas com deficiências psicossociais e intelectuais, e pessoas com grandes necessidades de apoio.


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