Sobreviver à exclusão na pandemia

Sobreviver à exclusão na pandemia

População com deficiência está no grupo prioritário de vacinação contra a covid-19 desde fevereiro, mas o plano do governo federal de imunizar 7 milhões de pessoas não avança. Movimento cobra ação imediata.

Luiz Alexandre Souza Ventura

08 de abril de 2021 | 06h45

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Logomarca do movimento de vacinação das pessoas com deficiência contra a covid-19. Símbolo circular tem as frases 'eu mereço uma dose de respeito' e 'sou pessoa com deficiência'. Crédito: Divulgação.

Descrição da imagem #pracegover: Logomarca do movimento de vacinação das pessoas com deficiência contra a covid-19. Símbolo circular tem as frases ‘eu mereço uma dose de respeito’ e ‘sou pessoa com deficiência’. Crédito: Divulgação.


O plano do governo federal de vacinar 7 milhões de pessoas com deficiência contra a covid-19, anunciado em fevereiro, quando o Ministério da Saúde incluiu essa população no grupo prioritário de imunização, não avançou.

Um movimento lançado oficialmente nesta quarta-feira, 7, cobra a vacinação imediata. A iniciativa tem participação de entidades sociais, federações, fundações e conselheiros municipais. Com o slogan ‘eu mereço uma dose de respeito’, está nas redes sociais e no YouTube.

No plano nacional, documento com 190 páginas, o Ministério da Saúde afirmou que “todos os grupos elencados serão contemplados com a vacinação”, mas fez uma ressalva sobre a quantidade de doses, não definiu data para vacinar as pessoas com deficiência e culpou fornecedores.

A criação da comissão temática para tratar dessa prioridade – grupo formado por Antonio Carlos Sestaro, presidente da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD); Carlos Eduardo Ferrari, da Confederação Brasileira de Desporto de Deficientes Visuais (CBDV); Décio Gomes Santiago, da Organização Nacional de Entidades de Deficientes Físicos (Onedef); Maria do Carmo Tourinho Ribeiro, da Associação Brasileira de Autismo (ABRA), e Ana Kathya Silva Henriques, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) -, que analisaria o plano nacional e apresentaria um relatório ao Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), não mostrou resultados.

Um estudo publicado em março no The New England Journal of Medecine, da Massachusetts Medical Society, nos Estados Unidos, mostrou o “impacto devastador da covid-19 em pessoas com deficiência intelectual”. A pesquisa transversal avaliou 64 milhões de pacientes, 128 mil com deficiências intelectuais, em 547 organizações de saúde, entre janeiro de 2019 e novembro de 2020. Os médicos responsáveis pelo trabalho reforçaram a urgência de vacinação da população com deficiência e seus cuidadores.

Sobreviver à exclusão é uma rotina para as pessoas com deficiência, uma batalha desproporcional e constante por cidadania. Na pandemia de covid-19, essa luta é ainda mais desigual.


REPORTAGEM COMPLETA EM LIBRAS (EM GRAVAÇÃO)
Vídeo produzido por Helpvox com a versão da reportagem na Língua Brasileira de Sinais pela tradutora e intérprete Milena Silva.


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