“Somos mais do que um exemplo de superação”

“Somos mais do que um exemplo de superação”

Em entrevista ao #blogVencerLimites, o campeão paralímpico e mundial de atletismo Alan Fonteles fala sobre as lições que aprendeu nos Jogos Paralímpicos Rio 2016 e sobre como o evento mudou a forma do Brasil entender o esporte praticado por pessoas com deficiência.

Luiz Alexandre Souza Ventura

13 Outubro 2016 | 15h28

“O Brasil, sem dúvida alguma, soube fazer desse grande evento o maior do mundo, como todos esperávamos”, diz Alan Fonteles, campeão paralímpico e mundial de atletismo, sobre os Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro. “Muita gente achou que não seria possível”.

Apesar de não ter conquistado todas as medalhas que buscava no Rio (ele ganhou a prata com a equipe dos 4×100), Fonteles considera sua participação positiva e diz ter aprendido muito na competição. “Com certeza funcionou como uma preparação para 2020”, afirma o atleta.

Alan diz já perceber mudanças no País, a partir da vivência que o torcedor teve na paralimpíada e espera que o legado do evento amplie o interesse do brasileiro por esportes além do futebol.

“As pessoas vão acompanhar mais os outros esportes e praticá-los. Já percebo algumas mudanças. É legal ouvir as pessoas falando das paralimpíadas nas ruas. Espero que isso aconteça cada vez mais”.

E o tal ‘exemplo de superação’, o retrato do ‘herói’, abordagem habitualmente usada pela mídia em geral quando um atleta com deficiência se torna conhecido, diminuindo todo o treinamento, empenho, fibra e qualidades desse atleta? Para Alan Fonteles, todos os atletas se superam, todos são heróis.

“É claro que, para os atletas com deficiência, a prática do esporte é um pouco mais complicada por causa da falta de locais apropriados e de apoio financeiro, mas todos passam por isso, sejam atletas deficientes ou não. Acredito que já passou essa fase de atletas paralímpicos serem vistos como coitados ou apenas como símbolos de superação. É legal ser associado a um exemplo de superação, mas somos mais do que isso, somos atletas de alto rendimento. Queremos ser exemplo de superação por nossos resultados e não por termos alguma deficiência”.

O novo ciclo olímpico (e paralímpico), de preparação para os Jogos de Tóquio, já começou e Alan quer competir no Japão. “Sem dúvida que sim. Será minha quarta paralimpíada. E eu sempre quis ir ao Japão (risos). Vou me preparar para ser o melhor e representar meu País da melhor forma possível”.

Um detalhe fundamental para atletas como Alan Fonteles é o uso da tecnologia assistiva, de próteses, um mercado ainda restrito no Brasil, com poucas empresas, produtos muito caros e quase nenhum apoio do poder público. O brasileiro é patrocinado peça Össur, empresa da Islândia que fornece a ele equipamentos para competições a também para o dia a dia. O atleta também é patrocinado pela Unimed, que mantém vários projetos relacionados ao universo da pessoa com deficiência.

Mercado forte – O Brasil quer exportar tecnologia assistiva. Um estudo recente realizado no País identificou o potencial nacional, mas destacou a carência de ações planejadas e integradas com participação de governo, associações de classe e fabricantes.

Por isso, um projeto executado pela ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos e Odontológicos), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), batizado de ‘Brazilian Health Devices’, busca o fortalecimento das indústrias de artigos e equipamentos da área da saúde.

Foto: Daniel Zappe/MPIX/CPB

Foto: Daniel Zappe/MPIX/CPB

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