SUS não entrega remédio para câncer

SUS não entrega remédio para câncer

Paciente que trata leucemia na Santa Casa de São Paulo está sem medicamento há mais de dez dias. Hospital culpa a secretaria estadual de Saúde, que joga a responsabilidade para o Ministério da Saúde. Casos se repetem na entrega de remédios para Esclerose Múltipla, Asma, Diabetes, Atrofia Muscular Espinhal e outras doenças graves.

Luiz Alexandre Souza Ventura

14 de janeiro de 2019 | 12h45

IMAGEM 01: Paciente que trata leucemia na Santa Casa de São Paulo está sem medicamento há mais de dez dias. Hospital culpa a secretaria estadual de Saúde, que joga a responsabilidade para o Ministério da Saúde. Casos se repetem na entrega de remédios para Esclerose Múltipla, Asma, Diabetes, Atrofia Muscular Espinhal e outras doenças graves. Descrição da imagem #pracegover: Homem que tem 30 anos está deitado em uma cama de hospital. Ao seu lado, uma mulher. Ambos olham para a câmera com semblante sério. Crédito: Arquivo Pessoal / Marcia Campos.


Governo federal e governo paulista, mesmo sob nova gestão e orientação política, não resolvem o problema crônico da falta de distribuição de remédios pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Embora as novas gestões estejam no comando há somente 15 dias, a situação enfrentada por pessoas que precisam de tratamento contínuo, mas não recebem seus medicamentos, é bem mais antiga e bastante conhecida.

Para agravar o quadro, as instituições responsáveis pela distribuição dos remédios mantêm o jogo de empurra, enquanto pacientes aguardam por uma solução.

O #blogVencerLimites acompanha esse cenário com atenção e já publicou diversas reportagens com denúncias de pessoas que convivem com Esclerose Múltipla, Asma, Diabetes e Atrofia Muscular Espinhal. Em todas as histórias, a negligência se repete.


Ninguém resolve o problema da falta de remédios no SUS


Rodney Oliveira Viana, de 30 anos, tem Leucemia Mielóide Crônica e faz tratamento desde julho de 2017, pelo SUS, na Santa Casa de São Paulo. Segundo Marcia Campos, esposa do paciente, a fase aguda da doença foi controlada com o uso contínuo do medicamento Nilotinibe (Tasigna 200MG), mas há dez dias a entrega do remédio foi interrompida.

“A Santa Casa nos informou que o problema é no Ministério da Saúde. Temos que ficar sempre ligando para saber se chegou, porque nunca tem previsão de entrega”, diz Marcia, que telefonou para o hospital mais uma vez nesta segunda-feira, 14/01. “Ainda não receberam o remédio. Meu marido continua sem tratamento”, ressalta.

“No mês passado ocorreu o mesmo problema. Levou mais de uma semana para chegar, Infelizmente, está acontecendo direto e o nosso medo é da doença, que é um câncer, se agravar novamente”, desabafa Marcia.


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RESPOSTAS – Questionados pelo #blogVencerLimites, a Santa Casa de São Paulo, a Secretaria de Estado da Saúde de SP e o Ministério da Saúde transferem as responsabilidades. Leia as respostas enviadas por email.

SANTA CASA – “Informamos que o paciente Rodney Oliveira Viana fez a retirada da medicação Nilotinibe (Tasigna 200mg) no dia 10 de dezembro de 2018. A Secretaria da Saúde ainda não forneceu a cota referente a janeiro de 2019. Estamos aguardando resposta do órgão com a indicação da data de entrega da medicação. Assim que recebermos o produto em nossa farmácia o paciente será notificado para retirada”.

SECRETARIA DA SAÚDE DE SP – “A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informa que a compra e distribuição de medicamentos para tratamento de leucemia aos estados cabe ao Ministério da Saúde. O órgão federal, no entanto, entregou em 2018 quantitativos parciais e insuficientes para São Paulo.

Para atender os pacientes neste trimestre foram solicitados, no total, 166 mil comprimidos do medicamento Nilotinibe. Porém, o Ministério da Saúde aprovou quantitativos inferiores ao pedido – 69% do solicitado.


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Embora a portaria federal estipulasse que a entrega total deveria ocorrer até 20 de dezembro do ano passado, o Ministério da Saúde efetuou a entrega completa dos remédios no dia 11 de janeiro.

A Secretaria de Estado da Saúde concentra esforços para atender os pacientes, fazendo planejamento rigoroso de estoques e remanejamentos, quando há possibilidade, e espera que o governo federal forneça os quantitativos o quanto antes, para assegurar a continuidade da assistência aos pacientes”.

MINISTÉRIO DA SAÚDE – “O Ministério da Saúde esclarece que, em 2018, foram encaminhados 103.712 unidades do medicamentos para atendimento dos pacientes em São Paulo. Novo quantitativo deve ser enviado até o final desta semana (resposta em 9 de janeiro) à Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo. O Ministério da Saúde reforça que a distribuição do medicamento às unidades dispensadoras é de responsabilidade das Secretarias Estaduais de Saúde”.

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