Telemedicina para evitar deficiências

Telemedicina para evitar deficiências

Uso de tecnologia avançada no tratamento intensivo de bebês nos primeiros momentos de vida ajuda na prevenção de sequelas neurológicas. "Não há vitória em promover a vida se não conseguimos promover qualidade de vida", diz o médico brasileiro Gabriel Variane, que fundou a PBSF, empresa especializada no monitoramento cerebral em UTI neonatal.

Luiz Alexandre Souza Ventura

29 Novembro 2018 | 18h16

IMAGEM 01: Uso de tecnologia avançada no tratamento intensivo de bebês nos primeiros momentos de vida ajuda na prevenção de sequelas neurológicas.

IMAGEM 01: Uso de tecnologia avançada no tratamento intensivo de bebês nos primeiros momentos de vida ajuda na prevenção de sequelas neurológicas. “Não há vitória em promover a vida se não conseguimos promover qualidade de vida”, diz o médico brasileiro Gabriel Variane, que fundou a PBSF, empresa especializada no monitoramento cerebral em UTI neonatal. Descrição #pracegover: Foto do médico Gabriel Variane. Ele está sorrindo e olhando para a câmera. É branco, tem aproximadamente 30 anos, cabelos esculos, lisos e curtos, veste paletó azul sobre camisa branca. Está sentado em uma bancada com vários monitores ao fundo, nos quais aparecem a logomarca da PBSF e telas dos softwares que fazem o monitoramento das UTIs. Crédito: Divulgação.


Evitar deficiências com a redução das sequelas de condições neurológicas é a essência do trabalho de monitoramento cerebral de bebês. O uso de tecnologia avançada e a participação de especialistas nesse acompanhamento pode ajudar a atenuar as consequências do parto prematuro ou de imprevistos durante e após uma gestação sem dificuldades.

Essa é a proposta da PBSF (Protecting Brains & Saving Futures) – ou Protegendo Cérebros, Salvando Futuros -, empresa brasileira que nasceu em 2016 e já beneficiou mais de 1.300 crianças em hospitais públicos e privados.

“Existe um problema gigantesco de risco para bebês recém-nascidos que desenvolvem sequelas neurológicas, provocando um impacto social e econômico devastador em uma população bem maior do que está registrado”, afirma o médico pediatra Gabriel Variane, especializado em UTI neonatal neurológica e fundador da PBSF.

“Várias intervenções têm sido propostas em todo o mundo para lidar com esse cenário. Isso é aplicável no Brasil por meio da tecnologia”, comenta o especialista.



CUSTO DAS DEFICIÊNCIAS – “Mais de 50% dos custos atuais com saúde são aplicados no tratamento de doenças crônicas neurogenerativas. Se observarmos a situação dos recém-nascidos, especialidade com grande avanço, houve muita redução na mortalidade, mas o grande foco neste momento é a promoção da qualidade de vida”, explica Vaniane.

“As sequelas neurológicas, como a paralisia cerebral, introduzem na sociedade uma pessoa com doença crônica, com forte impacto na família. Não há vitória em promover a vida se não conseguimos promover qualidade de vida”, defende o pediatra.

As duas principais causas de sequelas neurológicas em bebês são o nascimento prematuro e a asfixia (falta de oxigênio) durante o parto ou momentos antes da criança vir à luz.

“Todo ano, no mundo, 1,15 milhão de bebês têm asfixia e 13 milhões são prematuros. Sendo que 230 mil desses bebês com falta de oxigênio e 350 mil que nasceram antes do período recomendado vão desenvolver sequelas neurológicas importantes”, explica o fundador da PBSF.

“O Brasil tem aproximadamente 3 milhões de recém-nascidos ao ano. Desse total, entre 15 mil e 25 mil bebês vão ter asfixia, o que equivale a quase dois bebês por hora, e 33% terão sequelas neurológicas severas”, revela Gabriel Variane. “No caso dos prematuros, são 340 mil todo ano no nosso País. E aproximadamente 18 mil que nascem com menos de um quilo”, ressalta o médico.


Manter-se saudável é fundamental para evitar um possível parto prematuro. Alimentar-se corretamente, praticar atividade…

Publicado por Associação Brasileira de Pais de Bebês Prematuros – ONG Prematuridade.com em Terça-feira, 13 de novembro de 2018


IMPACTOS ECONÔMICOS – Estudos internacionais recentes estimam que o custo indireto – por causa da improdutividade de quem convive com sequelas neurológicas severas – chega a US$ 77 bilhões somente nos Estados Unidos, considerando todos os gastos durante toda a vida dessas pessoas.

Ainda não há estudos semelhantes no Brasil, mas é possível dimensionar esse gasto anual com base na concessão do BPC (Benefício de Prestação Continuada).

“Quando surgiu, em 1996, o BPC pagou R$ 150 milhões aos seus beneficiários. Em 2008, mais de uma década depois, esse montante chegou a R$ 7 bilhões”, diz Variane.

“Seguindo esse crescimento, em 2015, o total seria de R$ 16 bilhões. No entanto, dados do Ministério do Desenvolvimento Social constatam que, em 2014, havia 3,5 milhões de cidadãos recebendo o BPC. E pessoas com deficiência formavam a maior parte desse grupo. O custo total foi de R$ 35 bilhões, sendo R$ 19 bilhões pagos a pessoas com deficiência”, afirma o médico.

BPC E AS SEQUELAS NEUROLÓGICAS – Do total de pessoas que receberam o Benefício de Prestação Continuada em 2015, crianças e adolescentes são maioria (22%), com pagamento de R$ 4,7 bilhões somente para essa parcela de beneficiários. “Deficiências adquiridas em crianças e adolescentes têm origem no período de nascimento”, comenta o empresário.



TECNOLOGIA AVANÇADA – Novas estratégias tem sido usadas em todo o mundo para acompanhar bebês de alto risco. “Como ainda não é possível regenerar neurônio, eu posso fazer diagnóstico precoce para evitar a continuidade da lesão ou atuo com a neuroproteção e evito que essa lesão se instale”, explica o fundador da PBSF.

No caso da neuroproteção, um tratamento chamado Hiportemia Terapêutica, por exemplo, com resfriamento do bebê logo após o nascimento para uma temperatura em torno de 33ºC ou 34ºC, durante três dias, e reaquecimento gradual, gerou redução de 25% na mortalidade, de 33% nos danos neurológicos graves e de 35% na ocorrência de paralisia cerebral, além de aumentar em 65% o número de bebês sem qualquer tipo de dano neurológico.

A empresa aplica mais três metologias: Video Eletroencefalograma de amplitude integrada associado a EEG bruto (aEEG/EEG), Polissonografia e também a NIRS (Near Infrared Spectroscopy), que consiste na avaliação hemodinâmica cerebral para varificar oxigenação e fluxo sanguíneo.

Tudo isso faz parte da Central de Vigilância e Inteligência (CVI), com equipes centralizadas na sede da PBSF para apoiar diagnósticos e acompanhar sinais durante as 24 horas do dia. Essa estrutura permite antecipar o diagnóstico e melhorar a ação médica na UTI.

A companhia está presente atualmente na Santa Casa de São Paulo, Santa Casa de Santos, Hospital e Maternidade Santa Joana (SP), Pro Matre Paulista, Perinatal (Barra, Laranjeiras e Icaraí – Rio de Janeiro), UTI Neonatal Nicola Albano (Campos dos Goytacazes/RJ), Hospital SEPACO e Hospital Regional Jorge Rossmann, ambos em SP.

Para receber nossas notícias direto em seu smartphone, basta incluir o número (11) 97611-6558 nos contatos e mandar a frase 'VencerLimites' pelo Whatsapp. VencerLimites.com.br é um espaço de notícias sobre o universo das pessoas com deficiência, integrado ao portal Estadão. Nosso conteúdo também está acessível em Libras, com a solução Hand Talk, e áudio, com a ferramenta Audima. Todas as informações publicadas no blog, nas nossas redes sociais e enviadas pelo Whatsapp são verdadeiras, produzidas e divulgadas após checagem e comprovação. Compartilhe apenas informação de qualidade e jamais fortaleça as 'fake news'. Se tiver dúvidas, verifique.

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