Teleton é transformado para resistir à pandemia

Teleton é transformado para resistir à pandemia

Campanha que vai até dezembro é a principal fonte de captação de recursos da AACD. Associação faz mais de 1 milhão de atendimentos a pessoas com deficiência por ano, 80% gratuitos. Crise elevou gastos da instituição neste ano de R$ 80 milhões para R$ 130 milhões. Ação na internet reforça programa no SBT.

Luiz Alexandre Souza Ventura

14 de setembro de 2020 | 12h05


ABERTURA EM LIBRAS (EM GRAVAÇÃO)


Ouça essa reportagem com Audima no player acima, acione a tradução do texto em Libras com Hand Talk no botão azul à esquerda ou acompanhe o vídeo no final da matéria produzido pela Helpvox com a interpretação na Língua Brasileira de Sinais.


Descrição da imagem #pracegover: Mariana, uma das personagens símbolo do Teleton 2020, participa de uma sessão de reabilitação em uma unidade da AACD. Ela tem cabelos pretos e enrolados, cortados acima dos ombros, veste roupas pretas, tem amputações nos dedos das duas mãos e usa próteses nas duas pernas. Crédito: Divulgação AACD.


A principal campanha de arrecadação de recursos da AACD, o Teleton, foi modificada e alongada para resistir às dificuldades causadas pela pandemia de covid-19. Além de adaptações no tradicional programa de TV no SBT, ações na internet reforçam a iniciativa. A instituição completa 70 anos em 2020 e, com a crise do coronavírus, precisou rever suas despesas anuais, que subiram de R$ 80 milhões para R$ 130 milhões. “Esse é o montante que precisamos captar com doações”, explica Edson Brito, superintendente de marketing e relações institucionais da associação.

As atividades nas noves unidades e cinco oficinas ortopédicas, suspensas desde março, com cirurgias adiadas, foram retomadas nas últimas semanas, com uso de EPIs (máscaras, luvas e outros itens) e espaço entre as sessões. Nos últimos dez anos, a AACD fez 10,5 milhões de atendimentos a pessoas com deficiência, 80% gratuitos para os atendidos. “O custo médio por atendimento é de R$ 90. Recebemos R$ 13 do SUS e temos que arrecadar o restante”, diz Brito.

A participação mais efetiva das pessoas e das empresas também faz parte do formato do Teleton neste ano, seguindo o movimento gerado pela pandemia de engajamento em iniciativas de combate à covid-19. “Nossa causa é muito relevante. Por isso, é fundamental esse apoio”, comenta o superintendente. Outra mudança é a retirada da meta de arrecadação, prática constante na campanha. “Precisamos arrecadar o máximo possível até 31 de dezembro”, afirma Edson Brito.

As informações para fazer a doação estão na página Teleton.org.br.



Problemas do Brasil – “Ainda existem vários pontos a melhorar para realmente implementar em todo o País o que determinam as leis voltadas às pessoas com deficiência, desde a entrega de um equipamento de tecnologia assistiva até o acesso de fato à rede pública de saúde”, diz Alice Rosa Ramos, superintendente de práticas assistenciais da AACD. “Apesar de existir uma rede de atendimento, essa assistência não funciona porque a pessoa não consegue chegar na unidade de saúde ou, quando chega, não encontra profissionais verdadeiramente preparados para compreender a condição desse paciente”, ressalta.

“Após a reabilitação, o acompanhamento com especialistas, clínicos, pediatras e outros não ocorre porque os médicos não se consideram habilitados e os pacientes não confiam nesses profissionais. Há um problema já na saúde básica. A tabela de equipamentos está ultrapassada. Não temos uma regra para avaliação da necessidade do paciente e a entrega de uma cadeira de rodas, muleta, bengala, órtese, prótese ou qualquer outro mecanismo com especificações, voltado á funcionalidade.

Mídia – “O Teleton tem um grande compromisso de alertar a população, de conscientizar sobre a importância da reabilitação, e de mostrar a pessoa antes da deficiência. Há um preconceito que nos acompanha desde a infância. Meus pais foram voluntários na Apae de Atibaia (interior de SP) e tive a sorte de conviver com as crianças que frequentavam essa Apae, de brincar com elas. Isso ampliou a minha compreensão”, afirma Norma Mantovanni, direitora do Teleton no SBT.

“Precisamos mudar a maneira de mostrar a pessoa com deficiência, evoluir esse conceito. E o Teleton tem essa função. Temos essa responsabilidade. Se uma pessoa tiver suas ideias modificadas pelo programa, é uma porta aberta, e precisamos de muitas”, completa Norma.


REPORTAGEM COMPLETA EM LIBRAS (EM GRAVAÇÃO)
Vídeo produzido pela Helpvox com a versão da reportagem na Língua Brasileira de Sinais gravada pelo intérprete e tradutor Gabriel Finamore.


Para receber as reportagens do #blogVencerLimites no Whatsapp, mande ‘VENCER LIMITES’ para +5511976116558 e inclua o número nos seus contatos. Se quiser receber no Telegram, acesse t.me/blogVencerLimites.

blogVencerLimites@gmail.com
Facebook.com/VencerLimites
Twitter.com/VencerLimitesBR
Instagram.com/blogVencerLimites



Tudo o que sabemos sobre:

Pessoas com DeficiênciaTeletonAACDSBT

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: