“Todos têm papel fundamental na inclusão”

“Todos têm papel fundamental na inclusão”

Embraco, multinacional do setor de refrigeração com sede em Santa Catarina, mantém projeto para contratação e desenvolvimento de pessoas com deficiência há quase dez anos. Em entrevista ao #blogVencerLimites, gerente da companhia destaca a necessidade de envolvimento de todos os funcionários para garantir que o processo seja positivo e produtivo. Engenheiro, pedagoga e operador contam como chegaram à corporação, avaliam o cenário nacional e o acesso de profissionais com deficiência ao mercado de trabalho.

Luiz Alexandre Souza Ventura

28 de setembro de 2017 | 11h51

Rinaldo Puff é engenheiro, Ana Carolina Fruit é pedagoga, Adriana Horbatiuk é gerente de recursos humanos e Fábio Ferreira trabalha como operador. Imagem: Divulgação

Rinaldo Puff é engenheiro, Ana Carolina Fruit é pedagoga, Adriana Horbatiuk é gerente de recursos humanos e Fábio Ferreira trabalha como operador. Imagem: Divulgação


“A contratação de pessoas com deficiência se transforma em um processo efetivamente inclusivo quando toda a liderança da companhia está fortemente envolvida e tem o papel de recrutar, acolher, desenvolver esse profissional”, afirma Adriana Horbatiuk, gerente de recursos humanos, comunicação e sustentabilidade da Embraco, multinacional do setor de refrigeração com sede em Santa Catarina.

Em entrevista ao #blogVencerLimites, a executiva fala sobre o projeto iniciado pela empresa em 2008 para captação de profissionais com deficiência. “Valorizar as diferenças é somar resultados e isto vai muito além de preencher a cota prevista em lei”, afirma a executiva.

Segundo Adriana, quando o projeto foi criado, as vagas ficavam alocadas no setor de recursos humanos, que ainda é o guardião do processo . “Com o amadurecimento das lideranças e colaboradores, conseguimos transferir para as áreas também as vagas e os custos”, comenta a gerente. “Desta forma, toda a empresa está comprometida com a inclusão, valor seguido e respeitado por todos. Hoje não temos um funcionário 100% dedicado a este processo, mas temos várias pessoas do time, com diferentes papéis e visões gerindo o sistema”.

Adriana Horbatiuk é gerente de recursos humanos, comunicação e sustentabilidade da Embraco. Foto: Divulgação/Andre Kopsch

Adriana Horbatiuk é gerente de recursos humanos, comunicação e sustentabilidade da Embraco. Foto: Divulgação/Andre Kopsch


A executiva ressalta que todos na empresa têm papel fundamental na inclusão, um dever que não é somente da companhia, mas de cada colaborador, ampliando o conhecimento interno sobre a diversidade, para acolher, desenvolver e integrar os funcionários no dia a dia.

Adriana Horbatiuk defende o foco no potencial dos empregados com deficiência, com um olhar além das cotas, e afirma que a empresa tem de ajudar os funcionários na jornada para alinhar habilidades e talentos de cada pessoa com os cargos que serão ocupados.

“Todos os colaboradores são essenciais para o nosso negócio e procuramos fornecer as ferramentas necessárias para que tenham uma experiência de trabalho diferenciada e alcancem excelentes resultados. Desenvolvemos atividades que envolvem o estímulo à reflexão sobre suas aspirações, para que o colaborador identifique os próximos passos de carreira. Temos programas de desenvolvimento com metodologia de aprendizagem EEE (Experiência, Exposição e Educação), além de treinamentos direcionados aos operadores para que evoluam na carreira e estejam preparados para executar suas atividades. O processo de desenvolvimento passa por avaliações de performance e comunicação constante”.

No Brasil, a Embraco mantém funcionários com deficiência física, sensorial e intelectual em diversas áreas e funções, de todos os níveis hierárquicos, inclusive em cargos de liderança e na diretoria.

Atualmente com 51 anos, Rinado Puff entrou na Embraco em 1988, como estagiário. Imagem: Arquivo Pessoal

Atualmente com 51 anos, Rinado Puff entrou na Embraco em 1988, como estagiário. Imagem: Arquivo Pessoal


“Todo processo de inclusão é válido, mas deve haver a contrapartida do interessado em buscar seu desenvolvimento. Não deve ser visto como algo apenas para beneficiar a pessoa com deficiência, precisa haver ganho para a empresa também. Há muitas pessoas com deficiência que têm um potencial latente, que pode e deve ser explorado para beneficiar ambas as partes”, diz o engenheiro Rinaldo Puff, pesquisador da Embraco.

Atualmente com 51 anos, Puff entrou na empresa em 1988, como estagiário. Foi promovido três vezes. Em 1997, sofreu fratura na coluna vertebral durante um acidente e ficou paraplégico. Após a reabilitação, concluiu mestrado e doutorado em Ciência e Engenharia de Materiais pela UDESC (Universidade do Estado de Santa Catarina), e fez também um MBA em Gestão Empresarial pela FGV/SOCIESC.

“Ainda há um gap cultural muito grande, o que faz com que pessoas sem deficiência também aproveitem de espaços sem pudor. Há também limitações de acessibilidade em hotéis e restaurantes, o que dificulta o turismo, mas vejo melhorias neste aspecto, principalmente aqui no Sul do País”.

Puff ressalta que inclusão e exclusão da pessoa com deficiência depende muito da própria pessoa. “Se ela se sente excluída, a sociedade automaticamente a exclui. Então, apesar das limitações, ninguém deve deixar de buscar seu espaço”.

Fábio Ferreira, de 25 anos, trabalha atualmente como operador de manufatura. Imagem: Arquivo Pessoal

Fábio Ferreira, de 25 anos, trabalha atualmente como operador de manufatura. Imagem: Arquivo Pessoal


Fábio Ferreira, de 25 anos, é surdo e trabalha atualmente como operador de manufatura. Está na Embraco há três anos. “Quando eu fui procurar uma vaga de trabalho, procurei por intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais) para saber o que as empresas ofereciam e quais eram as condições de trabalho. Na Embraco, temos intérpretes, e isso facilitou”, comenta.

“Em outras empresas que trabalhei não havia e ficava mais difícil. Aqui, em reuniões, homenagens e eventos com a presença de surdos, sempre há um intérprete. A ausência de especialistas em Libras prejudica principalmente a comunicação”, avalia.

Ana Carolina Fruit (de casaco azul) tem 35 anos trabalha na Embraco há quase uma década. Imagem: Arquivo Pessoal

Ana Carolina Fruit (de casaco azul) tem 35 anos trabalha na Embraco há quase uma década. Imagem: Arquivo Pessoal


Para a pedagoga Ana Carolina Fruit, de 35 anos, que tem Síndrome de Down e trabalha na Embraco há quase uma década, o processo de recrutamento de pessoas com deficiência vem sendo realizado de maneira adequada. “As empresas precisam de mais profissionais habilitados em braile e Libras”.

Ana Carolina afirma que jamais passou por uma situação de discriminação ou exclusão. “Tive acesso ao ensino completo, até pós-graduação, com apoio de toda família e dos profissionais da educação”, ressalta. “Gosto de estar por dentro de notícias sobre pessoas com deficiência. Leio livros, notícias na internet, assisto vídeos e telejornais. Considero a Lei Brasileira de Inclusão muito importante. Independentemente da deficiência, todos têm dificuldades a serem superadas”, conclui a pedagoga.

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