O teatro acessível de Antônio Fagundes

O teatro acessível de Antônio Fagundes

Ator está em 'Tribos', peça de teatro que conta a história de um rapaz surdo em uma família de ouvintes. Espetáculo tem sessões com acessibilidade desde a estreia, em 2013. "Existe surdez maior que preconceito, orgulho, ignorância, falta de amor?", pergunta Billy, o personagem principal.

Luiz Alexandre Souza Ventura

06 Outubro 2015 | 13h52

———-

Antônio Fagundes completa 50 anos de carreira em 2015. Ator, produtor, autor e diretor, ele mantém a energia necessária para permanecer investindo na produção teatral, mesmo que isso não lhe traga quase dinheiro nenhum, e continua acreditando no poder da educação como ferramenta de transformação.

Seu trabalho atual no palco é ‘Tribos’, em cartaz no TUCA (Teatro da Universidade Católica), da PUC/SP, espetáculo no qual atua e também é produtor, junto com os atores Bruno Fagundes (seu filho), Arieta Correa, Eliete Cigaarini, Guilherme Magon e Maíra Dvorek. Mais de 200 mil pessoas já assistiram à peça nos últimos dois anos.

Desde a estreia do espetáculo em 2013, há sessões com Libras (Língua Brasileira de Sinais), audiodescrição e legendas, ao menos uma vez por mês em São Paulo, e no mínimo uma vez por semana durante a turnê por outras cidades.

‘Tribos’ está em cartaz no TUCA, da PUC/SP. Foto: Divulgação

A peça mostra Billy (Bruno Fagundes), rapaz que nasceu surdo em uma família de ouvintes, liderada pelo pai Christopher (Antonio Fagundes) e pela mãe Beth (Eliete Cigaarini), completada pelos irmãos Daniel (Guilherme Magon) e Ruth (Maíra Dvorek).

“Criado dentro de um casulo ferozmente idiossincrático e politicamente incorreto, Billy adaptou-se brilhantemente às maneiras não convencionais de sua família, mas eles nunca se deram o trabalho de retribuir o favor. Finalmente, quando ele conhece Sylvia (Arieta Correa), uma jovem mulher prestes a ficar surda, e passa a entender realmente o que significa pertencer a algum lugar”, resume a sinopse do espetáculo.

Por meio das percepções de uma pessoa com deficiência auditiva, o texto (da britânica Nina Raine, traduzido por Rachel Ripani) questiona os diversos tipos de limitação do ser humano e, “de uma maneira perversamente divertida e politicamente incorreta”, revive questões familiares e reforça as dificuldades de convivência, “como em toda tribo”.

Com direção de Ulysses Cruz, aborda a surdez universal e divide o tema entre “aqueles que não conseguem ‘calar-se’ por tempo suficiente para entender uma realidade diferente de sua própria” e “aqueles fisicamente incapazes de receber estímulos sonoros”.

‘Tribos’ tem sessões com acessibilidade. Foto: Divulgação

———-