Turismo precisa ouvir clientes com deficiência para faturar mais

Turismo precisa ouvir clientes com deficiência para faturar mais

Carolina Ignarra é empresária e atua na colocação de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. "Quando há mais profissionais com deficiência empregados, cresce o público com poder de consumo", diz a especialista, que elaborou uma lista de orientações para hotéis, pousadas, restaurantes e outros estabelecimentos. Em viagens profissionais ou de lazer, ela passou por experiências que mostram como o investimento em acessibilidade pode fortalecer os negócios.

Luiz Alexandre Souza Ventura

03 Dezembro 2018 | 18h09

IMAGEM 01: Carolina Ignarra é empresária e atua na colocação de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

IMAGEM 01: Carolina Ignarra é empresária e atua na colocação de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. “Quando há mais profissionais com deficiência empregados, cresce o público com poder de consumo”, diz a especialista, que elaborou uma lista de orientações para hotéis, pousadas, restaurantes e outros estabelecimentos. Em viagens profissionais ou de lazer, ela passou por experiências que mostram como o investimento em acessibilidade pode fortalecer os negócios. Descrição da imagem #pracegover: Foto de Carolina Ignarra em Maceió (AL), deitada em uma rede na faixa de areia de uma praia, com sua cadeira de rodas ao lado direito. Na parte direita da foto está a plataforma de acessibilidade coberta de areia. Crédito: Arquivo Pessoal.


A inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho cresceu 5,5%, conforme dados do Ministério do Trabalho. Essa elevação tem reflexo direto no poder de consumo de uma população constantemente excluída de estabelecimentos comerciais por inúmeras barreiras.

No setor do Turismo, a falta de acessibilidade, a oferta de recursos errados, construídos de forma equivocada ou negligenciados por hotéis, pousadas e restaurantes, também afastam os clientes com deficiência, inclusive aqueles com nível financeiro elevado, que poderiam circular pelo Brasil, mas acabam optando por destinos no exterior.

“Quando pessoas com deficiência pensam em viajar, muitas vezes acabam desistindo, não pela falta de condição financeira, mas sim pela falta de acessibilidade no turismo”, diz a empresária Carolina Ignarra, sócia-fundadora da Talento Incluir, empresa especializada na inclusão de profissionais com deficiência no mercado de trabalho.

“São pessoas que têm direito de viajar sozinhas ou com independência para não se constrangerem ao lado de amigos, familiares ou colegas de trabalho”, comenta Carolina. “Mesmo com a Lei Brasileira de Inclusão (nº 13.146/2015), que estabelece critérios para a acessibilidade em transportes e edificações, as regras são cumpridas, no máximo, parcialmente”, afirma a empresária.


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Carolina destaca que a dificuldade das pessoas com deficiência em viajar começa na pesquisa pelo destino e na busca por informações. “A internet é a principal fonte e pessoas com dificuldade de leitura, visão ou audição já encontram nos sites as primeiras barreiras. A maioria não tem acessibilidade digital”, critica a executiva.

Outro ponto levantado pela empresária é a falta de quartos adaptados, aeroportos acessíveis, companhias aéreas e outros meios de transporte adequados.

“Encontrar uma estrutura ideal não é tudo, ainda é preciso perder algumas horas a mais para ligar no estabelecimento e obter mais detalhes sobre altura de cama e largura da porta, para se certificar que a viagem será de fato tranquila e sem preocupações”, desabafa.

“Mais que nunca, o setor precisa se preparar para a cultura de inclusão. A imagem do Turismo está arranhada pela ideia de que, para ter acesso a tudo, clientes com deficiência têm de pagar mais. Não é raro ter que pagar taxa extra para conseguir adaptação e apoio”, diz Carolina.

A empresária ressalta que mesmo em estabelecimentos que atendem à legislação de acessibilidade arquitetônica, os detalhes são contraditórios, como o posicionamento de toalhas e controles remotos em alturas inacessíveis para pessoas em cadeiras de rodas ou com nanismo.

“A real inclusão, além de demandar investimentos para as adaptações estruturais, também requer investimento em cultura. É preciso, antes de tudo, contar com profissionais preparados. Para que serve um banheiro acessível nas áreas comuns usado como depósito ou, ainda, com panos de chão pendurados nas barras de transferência da cadeira de rodas para o vaso sanitário? A preparação da equipe trará melhor retorno”, orienta a especialista.

“Além disso, ter pessoas com deficiência nas equipes também ajuda a rede a perceber, entender e aprender mais sobre a diversidade e suas necessidades”, completa Carolina Ignarra.


IMAGEM 02:

IMAGEM 02: “Ter pessoas com deficiência nas equipes também ajuda a rede a perceber, entender e aprender mais sobre a diversidade e suas necessidades”, diz a empresária Carolina Ignarra. Descrição da imagem #pracegover: Carolina Ignarra está sentada na cadeira de rodas ao lado do marido e da filha em Foz do Iguaçu (PR). Crédito: Arquivo Pessoal.


DICAS E ORIENTAÇÕES – A empresária elaborou uma lista com informações simples, mas que podem tornar a experiência do cliente com deficiência excelente.

– Toalhas ou controles remotos sempre ao alcance de pessoas com nanismo ou usuárias de cadeira de rodas

– Sanitários acessíveis grandes para uma cadeira de rodas girar dentro dele e jamais utilizados como dispensa ou depósito

– Não adianta bater à porta do hóspede surdo, ele não vai escutar. Envie mensagem de texto no smartphone ou escrito no papel

– Clientes cegos assinam e têm documentos. Fale diretamente com eles e não com o acompanhante

– Pessoas com deficiência intelectual só devem ser tratadas como crianças se forem crianças

– Assuma sua dificuldade e inexperiência na convivência com pessoas que têm deficiência e abra caminho para o diálogo direto

– Antes de disparar perguntas, explique o motivo do questionamento, entenda se o cliente precisa de ajuda e como apoiá-lo

– Quando tiver dúvidas, peça permissão e questione com respeito e naturalidade. Aguarde a orientação da pessoa com deficiência e siga as indicações

Para receber nossas notícias direto em seu smartphone, basta incluir o número (11) 97611-6558 nos contatos e mandar a frase 'VencerLimites' pelo Whatsapp. VencerLimites.com.br é um espaço de notícias sobre o universo das pessoas com deficiência, integrado ao portal Estadão. Nosso conteúdo também está acessível em Libras, com a solução Hand Talk, e áudio, com a ferramenta Audima. Todas as informações publicadas no blog, nas nossas redes sociais e enviadas pelo Whatsapp são verdadeiras, produzidas e divulgadas após checagem e comprovação. Compartilhe apenas informação de qualidade e jamais fortaleça as 'fake news'. Se tiver dúvidas, verifique.

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