Turma do braille

Turma do braille

Acessibilidade não é uma missão tão difícil e pode ser criada principalmente com boa vontade.

Luiz Alexandre Souza Ventura

25 de julho de 2014 | 11h17

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O que você precisa saber sobre pessoas com deficiência

Imagem: Divulgação

Ainda há quem insista em afirmar que a deficiência visual é a pior de todas as deficiências. “Porque viver sem enxergar é um castigo” é dito muitas vezes, normalmente por pessoas que não vivenciam essa experiência. E o mundo continua sendo um lugar construído somente para quem nasceu ‘perfeito’.

Após milhares de anos de evolução, a humanidade, em certos aspectos, parece estacionar, ou até mesmo retroceder, quando precisa entender os aspectos de cada indivíduo, e como as dificuldades são superadas com o aprendizado constante. É necessário saber que o espaço ao redor não é compreendido somente com os olhos e, acredite, existem muitas formas de enxergar.

Nos últimos três meses, 33 pessoas foram submetidas a experiências que mostram como o mundo pode ser conhecido e apreciado sem usar os olhos, inclusive por quem não tem deficiência visual. São alunos do curso gratuito de braille ministrado pelo professor Francisco Antônio de Souza em Mesquita, na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Foram três meses de aulas, duas vezes por semana, que terminaram nesta semana, com a finalização de um mapa tátil de toda a cidade, feito com madeira, algodão, diversos tipos de papel, barbante, cola e tinta. É o primeiro, nesse formato, produzido na região. “O município é composto por 17 bairros, e cada bairro tem uma textura diferente. Queremos a inclusão de fato, para que as pessoas com deficiência visual possam conhecer melhor sua cidade”, diz o professor Francisco.

Na próxima terça-feira, dia 29, a turma do braille vai participar da solenidade de encerramento, a partir das 13h, na Escola Municipal Roberto Silveira, mesmo local das aulas.

Imagem: Divulgação

O professor – Francisco Antônio de Souza é funcionário do Instituto Nacional do Câncer (INCA) há 28 anos e afirma: “É uma realização profissional”. Cego desde os 17 anos, após bater a cabeça em uma trave durante uma partida de futebol, formou-se em Pedagogia no Centro Universitário Celso Lisboa e, hoje com 49 anos, ministra aulas de braile em Mesquita, na região metropolitana do Rio de Janeiro. “Essa é uma realização pessoal”, diz.

Em meados de 2006, foi homenageado pelo município em um livro, no qual defende a perseverança diante das dificuldades. “A educação não começa na escola. Vem do lar, da nossa casa. A escola dá continuidade ao que os pais ensinam. As pessoas com deficiência não devem abandonar seus objetivos por causa dos que alguns chamam de limitações”.

E foi essa virtuosidade que garantiu ao professor Francisco muitas conquistas. Ele foi o 10º colocado em um concurso público na cidade e diz que “o caso da pessoa com deficiência visual é mais complexo. Se a prova tem dez folhas e solicitamos a versão em braile, já começamos em desvantagem, porque o número de páginas sobe para 20 ou 25. E mesmo se optarmos por um ‘ledor’ (alguém para ler a prova), ele precisa ser bom nisso e muito paciente”.

Professor Francisco começou a ministrar as aulas de braile em 2013, atendendo a convite da Secretaria de Educação de Mesquita e, a partir deste ano começou a ensinar Soroban, (instrumento para cálculo, originalmente chinês, levado para o Japão em meados de 1600), curso que ele já ministrou em Niterói, Friburgo e Campos, todos municípios do Estado do Rio de Janeiro.

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