“Um surdocego e um tetraplégico podem tudo”

“Um surdocego e um tetraplégico podem tudo”

Filme idealizado por Marco Pellegrini, ex-secretário nacional da pessoa com deficiência, mostra o encontro de um tetraplégico com um surdocego. Curta publicado no Youtube destaca de que maneira a tecnologia assistiva garante independência e autonomia a pessoas com deficiência. Confira no #blogVencerLimites um vídeo exclusivo com bastidores da produção.

Luiz Alexandre Souza Ventura

17 de setembro de 2019 | 14h45


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Descrição da imagem #pracegover: Carlos Junior, que é surdocego, e Marco Pellegrini, que é tetraplégico, estão frente à frente em uma mesa. Carlos Junior é negro, tem cabelos curtos e escuros, barba escura, veste um sueter preto, uma camisa de gola branca e uma calça jeans. Está manuseando uma Linha Braille ligada ao smartphone. Marco Pellegrini é negro, tetraplégico, veste um casaco preto e uma calça marrom. Está sentado em uma cadeira de rodas motorizada que ele comanda com um joystick operado com o queixo. Acoplado à cadeira está um tablet. Crédito: Reprodução.


“Um surdocego e um tetraplégico podem tudo”, destaca a descrição do vídeo ‘O Encontro’, publicado no canal ‘MrMaferr64’ no YouTube, comandado pelo ex-secretário nacional da pessoa com deficiência, Marco Pellegrini.

“A ideia de fazer o vídeo surgiu quando fui convidado para apresentar uma palestra. Sou fã da tecnologia e, na minha casa, estou apoiado nessas ferramentas, o que torna minha rotina muito mais possível e viável, além de ter um impacto financeiro nos cuidados que preciso, me dar autonomia e preservar a minha intimidade”, conta Pellegrini, que é tetraplégico.

“O objetivo é divulgar essas ferramentas e mostrar que não é a tecnologia de baixo custo que vai me levar a algum lugar, mas sim as ferramentas que eu preciso. E o custo nós avaliamos depois”, diz.

Foi o próprio Pellegrini quem produziu o filme, em parceria com Muvilab, icom, Inclusão 5G e a Associação Metroviários dos Excepcionais (AME). A produção teve apoio de instituições públicas e privadas, fabricantes e empresas que comercializam os recursos.

“O melhor da tecnologia é quando ela torna a vida possível, nos coloca na rua e estreita relações”, diz o ex-secretário, que é metroviário e trabalha atualmente no atendimento aos usuários do Metrô de SP.



O outro personagem do filme é o massoterapeuta Carlos Alberto Santana Junior, que é surdocego, mora em Osasco, na Grande SP, e usa diversas ferramentas de acessibilidade, especialmente a Linha Braile (dispositivo eletromecânico para a exibição de caracteres em braille), além do smartphone e de algumas placas para facilitar a comunicação.

Surdocegueira é a associação de duas deficiências, surdez e cegueira, mas não é uma somatória de ambas, nem a perda total dos dois sentidos. Trata-se de uma deficiência com características específicas, como a perda, em diferentes escalas, da visão e da audição.

Pode ser identificada por cegueira congênita e surdez adquirida, surdez congênita e cegueira adquirida, cegueira e surdez congênitas, cegueira e surdez adquiridas, baixa visão com surdez congênita ou baixa visão com surdez adquirida.

Pessoas com surdocegueira podem ser pré-linguísticas, que nascem surdocegas ou adquirem a surdocegueira ainda bebê e não se tornam fluentes em uma língua, e pós-linguísticas, que tem uma deficiência sensorial (auditiva ou visual) e adquire a outra depois de se tornar fluente em uma língua (portuguesa ou de sinais).



SAIBA MAIS – Marco Pellegrini é bacharel em Matemática pela Faculdade Paulistana e pós-graduado em Tecnologia Assistiva pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.

Comandou a Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (2017/2018). Atuou como secretário, secretário adjunto e coordenador de atividades na Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) de São Paulo (2008/2016). Integrou e chefiou as delegações brasileiras nas conferências da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência da ONU, em Nova York (2008/2017).

Foi diretor da AME (Associação Amigos Metroviários dos Excepcionais), participou da fundação do Grupo de Estudos sobre Vida Independente (1993) e da fundação (1996) do Centro de Vida Independente Araci Nallin (CVI-AN), do qual foi três vezes presidente.

Recebeu diversas premiações, entre as quais estão ‘Setenta Anos da Declaração dos Direitos Humanos – Prêmio Nacional de Direitos Humanos’ (2018), ‘Troféu Raça Negra’, da Afrobrás (2017), ‘Valoroso Trabalho na Promoção da Igualdade Etnorracial – Premio Luiz Gama’, concedido pelo Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado de São Paulo (2014), ‘Primeiro usuário de Emprego Apoiado no Brasil’, concedido pela Associação Nacional do Emprego Apoiado – ANEA (2014), ‘Liderança Exercida na Comunidade e o Trabalho contra a Discriminação Étnica’, durante a Sessão Solene da Câmara Municipal de São Paulo alusivo ao Dia da Consciência Negra (2012) e ‘100 Anos de Revolta da Chibata – Medalha Força da Raça’, oferecido pelo Grupo Força da Raça – Campinas (2010).

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