US$ 400 mil para debater a educação inclusiva

US$ 400 mil para debater a educação inclusiva

Plataforma brasileira de filmes lançou edital internacional em março para produção de documentário. Videocamp já promoveu mais de 24 mil exibições públicas e gratuitas em mais de 100 países. Site anunciou nesta sexta-feira, 21/9, Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, a seleção do projeto 'Forget Me Not' (Não Me Esqueça), do diretor norte-americano Olivier Bernier, que tem um filho com síndrome de Down.

Luiz Alexandre Souza Ventura

21 Setembro 2018 | 11h00

IMAGEM 01: Plataforma brasileira de filmes lançou edital internacional em março para produção de documentário. Videocamp já promoveu mais de 24 mil exibições públicas e gratuitas em mais de 100 países. Site anunciou nesta sexta-feira, 21/9, Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, a seleção do projeto 'Forget Me Not' (Não Me Esqueça), do diretor norte-americano Olivier Bernier, que tem um filho com síndrome de Down. Descrição #pracegover: Bebê com síndrome de Down está deitado sobre um tapete, com vários brinquedos espalhados pelo chão. A criança, um menino, tem cabelos compridos e lisos, veste somente uma fralda e está sorrindo para a câmera. Crédito: Divulgação

IMAGEM 01: Plataforma brasileira de filmes lançou edital internacional em março para produção de documentário. Videocamp já promoveu mais de 24 mil exibições públicas e gratuitas em mais de 100 países. Site anunciou nesta sexta-feira, 21/9, Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, a seleção do projeto ‘Forget Me Not’ (Não Me Esqueça), do diretor norte-americano Olivier Bernier, que tem um filho com síndrome de Down. Descrição #pracegover: Bebê com síndrome de Down está deitado sobre um tapete, com vários brinquedos espalhados pelo chão. A criança, um menino, tem cabelos compridos e lisos, veste somente uma fralda e está sorrindo para a câmera. Crédito: Divulgação


O projeto Forget Me Not’ (Não Me Esqueça), do diretor norte-americano Olivier Bernier, foi selecionado no edital internacional de filmes sobre educação inclusiva do Videocamp, plataforma brasileira online e gratuita de exibições públicas de filmes de impacto. O anúncio foi feito nesta sexta-feira, 21 de setembro, Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência.

Lançado em 21 de março, Dia Internacional da Síndrome de Down, durante conferência na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque (EUA), o edital recebeu 163 inscrições de 29 países.

O júri foi composto pela cineasta afro-americana premiada Yvonne Welbon (Chicken and Egg); Raúl Niño Zambrano (Festival Internacional de Documentários de Amsterdã); Rosangela Berman-Bieler (Conselheira Global em Deficiência do UNICEF); Marcos Nisti (CEO do Alana); Paola Castillo (Chile Doc) e Cecilie Bolvinkel (EDN-European Doc Network).

O Videocamp vai investir US$ 400 mil na produção do filme sobre educação inclusiva que contará a história de Bernier e Hilda, jovens pais que descobrem, no momento do parto, que seu filho Emilio tem síndrome de Down.

A produção tem base nas experiências pessoais de Olivier Bernier, pai de um menino com síndrome de Down, mas a meta é destacar uma perspectiva global, mostrando os desafios enfrentados por crianças com deficiência na educação inclusiva. O lançamento mundial está previsto para 2020. O investimento contempla todos os recursos de acessibilidade, como audiodescrição, língua de sinais e legenda descritiva.

O diretor vive em Nova York, é co-fundador e diretor de criação da produtora Rota6 Films, especializada em documentários e comerciais para clientes como Pepsi, Ford e Conde Nast. Depois de completar sua bem recebida primeira narrativa de longa-metragem intitulada ‘The Sunset Sky’, sobre um adulto com autismo, ele colocou seu foco no cinema documentário e no trabalho comercial.

Nos últimos 12 meses, seus filmes foram exibidos em festivais de prestígio, incluindo dois filmes no DOCNYC, Big Sky, Bend Film Festival e dois filmes no Rooftop Film Series. Mais recentemente, um de seus filmes, ‘A Garbage Story’, foi selecionado como Vimeo Staff Pick, com mais de 40 mil visualizações.

“Quando eu era criança, não frequentei uma escola inclusiva, nunca convivi com uma pessoa com deficiência intelectual e não estava preparado para a chegada do meu filho. Quero usar essa oportunidade para garantir que isso nunca aconteça com alguém novamente”, afirmou Bernier em entrevista publicada pelo Videocamp (íntegra abaixo)



Videocamp – O que inspirou o ‘Forget Me Not’?

Olivier Bernier – A história começa com a jornada da minha própria família. Meu filho Emilio nasceu com síndrome de Down e minha esposa Hilda é educadora, então a busca por educação inclusiva é uma história importante para eu contar. A única coisa que quero para o meu filho é que ele seja incluído.

Como muitas pessoas, eu não frequentei uma escola inclusiva e não sabia o suficiente sobre deficiência. Então, quando Emilio nasceu, eu não estava preparado, eu não entendia exatamente o que significava para uma pessoa crescer com síndrome de Down. Como alguém sem deficiência, o fato de que minha educação não foi inclusiva me fez falta, e a meu filho também. Quero contar uma história emotiva com a qual as pessoas se conectem, tenham ou não deficiência, pois isso afeta a todos nós.

Videocamp – De que consistirá o filme?

Olivier Bernier – A história da minha família será a porta de entrada, mas além disso, contará a história de duas crianças que tiveram educação inclusiva e a de uma criança que não teve. Mostraremos as diferenças de suas experiências, ao conversar com especialistas e explorar como educação inclusiva tem um efeito positivo em todos.

Eu gostaria de fazer pequenas vinhetas ao redor do mundo e ver como é a situação em diferentes lugares. Eu realmente quero fazer um filme global que mostre as diferenças em educação inclusiva em diversas partes do mundo. Alguns países, como a França e a Alemanha, por exemplo, não têm educação inclusiva, por isso queremos entender a perspectiva deles e vivenciar como é para uma criança que não está em um ambiente inclusivo.

Essa é também uma parte importante da história, pois acho que nos EUA sempre pensamos que a Europa é muito progressista.

E não vamos fugir dos desafios. Minha esposa trabalha diariamente com crianças com deficiência no ensino médio, então ela está na linha de frente e eu escuto muitas histórias dela. Somente conhecendo e mostrando os desafios, poderemos superá-los. Também gostaria de entrevistar pais de crianças sem deficiência para entender sua perspectiva.

A inclusão pode ser controversa e gostaria que as vozes de todos fossem representadas, porque essa é a única maneira de educar e ajudar as pessoas a entender.

Videocamp – O que você quer que o público leve consigo?

Olivier Bernier – Eu quero que o público saia com a pergunta “por que não há educação inclusiva em todos os lugares?” Queremos que o filme coloque um holofote nas pessoas que estão fazendo trabalhos maravilhosos, apesar dos grandes desafios, e que realmente fazem diferença na vida das crianças.


IMAGEM 02: Produção contará a história de Bernier e Hilda, jovens pais que descobrem, no momento do parto, que seu filho Emilio tem síndrome de Down. Crédito #pracegover: Mulher de cabelos escuros e presos está em uma sala de hospital repleta de equipamentos. Ela veste uma camisola e usa óculos. Está olhando para um bebê deitado num berço e embalado em um tecido colorido. Crédito: Divulgação

IMAGEM 02: Produção contará a história de Bernier e Hilda, jovens pais que descobrem, no momento do parto, que seu filho Emilio tem síndrome de Down. Crédito #pracegover: Mulher de cabelos escuros e presos está em uma sala de hospital repleta de equipamentos. Ela veste uma camisola e usa óculos. Está olhando para um bebê deitado num berço e embalado em um tecido colorido. Crédito: Divulgação


Videocamp – Como você vai fazer para que o processo de filmagem seja inclusivo?

Olivier Bernier – Teremos pessoas com deficiência nas equipes de produção. Eles são os especialistas no tema do filme, então tê-los no set é essencial. Outra coisa é o estilo de filmagem. Nós não queremos dramatizar a vida das pessoas, queremos mostrar como realmente é e ouvir a voz deles no filme. Com qualquer documentário, é importante ganhar a confiança das pessoas que você está filmando, principalmente com crianças. Queremos trazer uma experiência lúdica para realmente entender quem elas são como pessoas. Nós daríamos às crianças que filmaríamos uma câmera própria também, para que possam filmar a partir de sua perspectiva e mostrar como é o mundo delas.

Videocamp – Qual é o seu histórico no cinema?

Olivier Bernier – No meu trabalho diário, sinto-me inspirado a contar as histórias não percebidas, aquelas pelas quais passamos diariamente, gosto de explorar a condição humana. Por exemplo, recentemente fizemos um filme chamado ‘A Sharper Sword’, sobre o esgrimista Daryl Homer, que cresceu no Bronx e ganhou uma medalha de prata nas Olimpíadas de 2012 no Rio de Janeiro.

Eu comecei fazendo filmes mais narrativos, mas mudei para um estilo mais documentário. Eu sinto que há uma falta de autenticidade e verdade no mundo agora, então o público deseja uma abordagem honesta nos filmes. Essa é uma história que eu vivo todos os dias, então é natural compartilhar isso com o mundo. A busca por educação inclusiva não é apenas um documentário para mim, é minha vida como pai e cineasta.

Videocamp – Então, o que significa para você ganhar o Edital Videocamp de Filmes?

Olivier Bernier – Sob muitos aspectos, parece que todos os momentos da minha vida levaram ao ponto em que devo fazer esse filme. Esta é a minha oportunidade de fazer a diferença para o mundo em que meu filho crescerá, e ficaria honrado de poder fazer isso.

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