“A busca pela inclusão depende de cada um. Ninguém sabe o que uma pessoa quer se ela não disser”

“A busca pela inclusão depende de cada um. Ninguém sabe o que uma pessoa quer se ela não disser”

Vanilton Filho, nadador da Seleção Brasileira Paralímpica, fala sobre esporte, socialização e a experiência de ser modelo. A entrevista foi feita nos intervalos dos treinos, com áudios gravados e enviados pelo WhatsApp.

Luiz Alexandre Souza Ventura

10 de novembro de 2014 | 11h32

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O que você precisa saber sobre pessoas com deficiência

Foto: Divulgação

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A deficiência jamais teve influência no comportamento de Vanilton Filho, nadador que integra a Seleção Brasileira Paralímpica há quatro anos. “Desde a escola, eu fiz de tudo. E fiquei junto com a galera”, diz o atleta que nasceu com má formação no fêrmur direito e, por isso, tem encurtamento na perna.

Vanilton, atualmente com 21 anos, conheceu a natação aos 10, por indicação médica. “Sempre fui muito competitivo. Queria ganhar de todos, inclusive nos treinos”. A postura chamou a atenção de uma treinadora, que o convidou para participar das competições de alto desempenho.

“Claro que sempre surge o preconceito. As pessoas ficam retraídas quando te conhecem. Já tive colega, com deficiência, que tinha medo de não ser aceito e acabava se fechando, inclusive para as amizades. E aquilo era muito ruim para ele. Na minha casa, a forma como meus pais me criaram também me ajudou muito”, afirma.

Na avaliação do atleta, falta de socialização e isolamento não são comportamentos específicos de pessoas com deficiência. “A busca pela inclusão depende de cada um. Ninguém sabe o que uma pessoa quer se ela não disser”.

Na comparação do Brasil com os países onde competiu, Vanilton destaca o planejamento com base no desenho universal, quando tudo é construído de forma que todos usem, independente das características individuais. E, para que o desenho universal se torne uma realidade constante no Brasil, o atleta acredita que somente a conscientização pode fazer a diferença.

Esporte – Vanilton é categórico ao afirmar que o esporte paralímpico brasileiro está em ótima forma, com alto investimento e atuação competente do Comitê Paralímpico na busca por novos atletas, todos os anos, promovendo competições para iniciantes. “Infelizmente, alguns estados não investem no esporte, mas as competições de alto rendimento têm ótima infraestrutura, inclusive com a construção no novo centro paralímpico. O País está sim muito bem evoluído nesse aspecto”.

Foto: Divulgação

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Modelo – Recentemente, Vanilton foi convidado para ser modelo de marca de roupas M.POLLO e diz ter recebido a proposta com surpresa. “Fiquei bastante lisonjeado. Mas também percebi que é uma empresa que valoriza muito a pessoa com deficiência porque, no Brasil, em geral, as empresas não fazem isso”.

Projeto Diversidade – A marca pertence ao Grupo MPL, que também detém as grifes PACO e PK by PACO. A empresa aposta na integração de pessoas com deficiência e age neste sentido, inclusive com a contratação de modelos com Síndrome de Down. “Muito se fala sobre a integração social. A maioria concorda, mas poucos agem. A socialização de crianças com deficiência potencializa o desenvolvimento e contribui para o aumento da autoestima. Decidimos parar de falar que ‘ser diferente é ser normal’ e de fato mostrar isso na prática”, diz a companhia.

Uma das iniciativas, em abril, foi doar parte do faturamento da coleção T-Shirt Diversidade vendida aos lojistas para a APAE. De cada peça vendida, R$ 1 foi doado. A ação durou três meses. “É a nossa maneira de contribuir para que as crianças e adolescentes atendidos pela instituição tenham acesso a assistência social, prevenção, saúde, educação, emprego e renda”, ressalta a PK.

Imagem: Divulgação

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