Vencer Limites na Rádio Eldorado – 18

Vencer Limites na Rádio Eldorado – 18

A coluna Vencer Limites na Rádio Eldorado FM (107,3) vai ao ar toda terça-feira, às 7h20, ao vivo, no Jornal Eldorado.

Luiz Alexandre Souza Ventura

11 de janeiro de 2022 | 13h17


Neste 18º episódio da coluna Vencer Limites na Rádio Eldorado FM, falo sobre a quebra do capacitismo a partir de projetos públicos inclusivos e da representatividade na TV.

Dizem por aí, principalmente os desinformados, que a deficiência impede a pessoa de fazer o que ela quer, o que ela gosta, de conhecer novos lugares, viajar, se divertir, se aventurar pelo mundo.

Essa é a manifestação mais básica, mais comum, do capacitismo e do desconhecimento sobre a relação da acessibilidade com a cidadania da população com deficiência.

O projeto que torna inclusivos os parques e as unidades de conservação do estado de SP funciona muito bem para explicar, na prática, como pessoas com deficiência vão, se quiserem ir, para qualquer lugar que seja acessível ou que tenha equipamentos de acessibilidade.

É o Trilha Acessível, que integra o Programa Cidade Acessível, coordenado pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo. A secretaria comprou cadeiras chamadas de Julietti, criadas pela empresa Montanha Para Todos. Essas cadeiras estão sendo distribuídas em 15 parques: Jaraguá, Serra do Mar, Ilha do Cardoso, Nascentes do Paranapanema, Caverna do Diabo, Prelado, Ilha Bela, Campina do Encantado, Furnas do Bom Jesus, Itinguçu, Rio Turvo, Vassununga, Carlos Botelho, Morro do Diabo e Ilha Anchieta. São três para cada um.

Esses equipamentos são feitos de aço-carbono e têm uma única roda de 20 polegadas e pneu do tipo cross, tem amortecimento, cinto de segurança, assento anatômico, apoio para cabeça e para os pés, e tem quatro hastes de sustentação em aço galvanizado. É desmontável e cabe no porta-malas do carro.

Dois monitores, capacitados pela ONG Inclusão Radical, conduzem a cadeira e a pessoa com deficiência pelo parque, pela caverna, etc.

No blog tem os links sobre o projetos, informações sobre os parques e também da página que vende a cadeira para qualquer pessoa: custa R$ 6,5 mil.


Foto de Juliana e Guilherme, criadores da cadeira Julietti. Ela está sentada na cadeira e ele está em pé ao lado. Ao fundo, uma formação rochosa.

Ao menos 15 parques terão três cadeiras específicas. Crédito: Divulgação / Montanha Para Todos.


Desde a primeira entrevista que eu fiz com o Fernando Fernandes, em 2014, eu entendo que ele tem a cara do programa ‘No Limite’, da TV Globo. Na verdade, eu imaginava o Fernando como competidor do programa.

E quando foi anunciado que ele é o novo apresentador, eu considerei essa escolha totalmente coerente porque o Fernando tem a experiência para conduzir o show, exatamente porque ele vivencia essa transcendência dos limites, algo habitual para um esportista de alto desempenho, com ou sem deficiência.

Lá em em 2014, ele me disse que “é a cabeça que determina o ritmo de uma pessoa com deficiência, não é o corpo”.

É isso que precisa conduzir os participantes do reality, o equilíbrio mental. Porque o preparo físico será inútil quando houver o esgotamento mental.

Precisamos lembrar da Elaine, que venceu a primeira edição, lá no final do ano 2000, quase 22 anos atrás.

Uma mulher de 35 anos, obesa, desacreditada, subestimada e até ridicularizada por sua aparência, ela manteve o equilíbrio necessário para desbancar todos os oponentes, sarados ou não.

Isso não tem nenhuma relação com a tal ‘superação da deficiência’ porque Fernando Fernandes continua paraplégico e os detalhes dessa condição permanecem.

Também não torna o programa ‘No Limite’ plenamente acessível e inclusivo.

Mas é uma quebra do capacitismo, uma valorização do histórico e da competência do apresentador para a função, um trabalho que não centraliza a atenção na deficiência, torna isso somente uma característica.

Então, é sim muito positivo.


Imagem de Fernando Fernandes.

“Um apresentador cheio de disposição”, diz Fernando Fernandes.


Na dica de livro, ‘Você é o Caminho’, escrito por Dani Costa, que é especialista em desenvolvimento humano, idealizadora da Plataforma da Vida, um portal de conteúdo e serviços voltados para autoconhecimento e gestão emocional. E criadora do coletivo Brazilinas, que dá capacitação profissional para mulheres em situação de vulnerabilidade social.

Neste livro, a Dani Costa compartilha experiências e resultados ao lidar com a Síndrome de Burnout, que entrou oficialmente para a lista de doenças do trabalho a partir do primeiro dia de 2022, agora faz parte da Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em 2021, no Índice de Bem-Estar Corporativo (IBC), estudo da startup Zenklub, esse bem-estar do brasileiro ficou em menos de 50, mas o ideal é 78. E o burnout é um dos principais motivos.

A autora foi executiva no setor bancário. São cinco capítulos, desde as primeiras descobertas até as conclusões e resultados, além de alguns exercícios práticos. Foi lançado em novembro do ano passado pela ORION EDITORA.


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