Vencer Limites na Rádio Eldorado – 25

Vencer Limites na Rádio Eldorado – 25

A coluna Vencer Limites na Rádio Eldorado FM (107,3) vai ao ar toda terça-feira, às 7h20, ao vivo, no Jornal Eldorado.

Luiz Alexandre Souza Ventura

01 de março de 2022 | 21h07

Sentença de morte para pessoas com deficiência na Ucrânia

Clique na imagem para ouvir a coluna. Foto: blog Vencer Limites.


Neste 25º episódio da coluna Vencer Limites na Rádio Eldorado FM (107,3), falo sobre como a invasão da Rússia à Ucrânia e a guerra sentenciam a população ucraniana com deficiência à morte.

A invisibilidade e a falta de acessibilidade são barreiras constantes na vida das pessoas com deficiência em qualquer parte do mundo. Quando há uma guerra, essa combinação é uma sentença de morte. É isso o que acontece neste momento na Ucrânia.

Desde a última quinta-feira, quando a Rússia invadiu a Ucrânia, emissoras de TV e rádio, portais de notícias, jornais e revistas estão totalmente dedicados a essa cobertura. As imagens se repetem o dia inteiro, dos bombardeios, dos ucranianos fugindo ou chegando na fronteira de outro país, mas não há nenhuma pessoa com deficiência nessas imagens.

Não há quase nada na imprensa nacional que chame atenção e traga detalhes sobre essa situação. E nem na imprensa internacional.

A instituição global Accessibility.com publicou uma análise sobre como a guerra entre Ucrânia e Rússia afeta a vida de civis ucranianos com deficiência. E afirma que a Ucrânia “é notoriamente ‘antipática’ à deficiência e inacessível. O país está repleto de prédios de apartamentos de vários andares da era soviética sem elevadores, enquanto acomodações básicas como rampas de acesso e oportunidades de emprego equitativas são raras”.

A apresentação desse cenário nos ajuda a entender, por exemplo, por que a cidadã ucraniana Yulia Klepets contou à imprensa internacional que ela, a mãe dela, de 82 anos, com restrições de mobilidade, e filha dela, Aryna, de 25 anos, que é autista, continuam isoladas no apartamento da família, que fica no sétimo andar do prédio, na capital Kiev.

Outra instituição, a Inclusion Europe, que atua em 39 países, declarou que “as condições de vida das pessoas com deficiência intelectual na Ucrânia, especialmente nas instituições, eram muito precárias mesmo antes da guerra, e a mera expectativa de guerra secou o envio recursos, moradores foram devolvidos para suas famílias e suspeita-se de abandono direto”.

Esse comunicado está assinado por Risto Burman, diretor executivo da Associação Finlandesa de Apoio às Pessoas com Deficiência Intelectual, pedindo ação imediata dos países da União Europeia e das organizações humanitárias.

O Fórum Europeu da Deficiência publicou uma carta aberta ao chefes das instituições europeias, aos chefes de Estado europeus, russos e ucranianos e à OTAN, afirmando que a situação das pessoas com deficiência na Ucrânia é terrível, os abrigos em Kiev são inacessíveis, as mulheres com deficiência estão em maior risco de violência sexual, as crianças com deficiência estão mais expostas ao abuso e à negligência, as informações cruciais sobre segurança e evacuação são inacessíveis, que os centros de evacuação não tem acessibilidade e que as pessoas com deficiência serão deixadas para trás.

A Agência para Refugiados da Organização das Nações Unidas divulgou um Plano de Resposta Humanitária no qual previa e necessidade urgente de deslocar 225 mil pessoas com deficiência na Ucrânia, mas não há nenhuma informação se isso já começou a ser feito.

No meio de tudo isso surgiu o ator e escritor alemão Samuel Koch, de 34 anos, tetraplégico, que lidera uma ação para resgatar pessoas com deficiência nas áreas de guerra e das regiões da Ucrânia atacadas pela Rússia.

Esse artista tem uma instituição, chamada Samuel Koch e Amigos, que mandou uma pequena delegação, que inclui uma enfermeira, a mãe dele, um cunhado e um mecânico ortopédico, com transportes acessíveis, para buscar crianças com deficiência, pessoas em cadeiras de rodas, etc.



LEIA AS REPORTAGENS SOBRE AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NA UCRÂNIA:

ONG consegue levar 35 pessoas com deficiência da Ucrânia para a Polônia
“Guerra pode dizimar a população com deficiência da Ucrânia”

“Guerra expõe antipatia da Ucrânia à população com deficiência”, diz Accessibility.com

Ator alemão lidera ação para resgatar pessoas com deficiência na Ucrânia

Pessoas com deficiência estão presas em Kiev

Guerra na Ucrânia já provoca abandono de pessoas com deficiência intelectual

“Situação das pessoas com deficiência na Ucrânia é terrível”, diz Fórum Europeu da Deficiência

ONU prevê deslocamento de 225 mil pessoas com deficiência na Ucrânia


E como estamos há três dias dos Jogos Paralímpicos de Inverno, que começam nesta sexta-feira, dia 4, em Pequim, na China, vale lembrar que, infelizmente, há uma relação direta entre a guerra, as pessoas com deficiência e os Jogos Paralímpicos.

Essas competições tiveram início após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1948, quando foi organizado o primeiro evento esportivo para pessoas de deficiência, o que deu origem, em 1960 aos Jogos Paralímpicos ou Paraolímpicos.

Os detalhes estão no livro ‘Esporte Paralímpico – Tornar possível o impossível’, escrito pelo jornalista Claudio Nogueira, publicado em 2017 pela editora Autografia, que descreve a origem do esporte paralímpico, quando o médico alemão Ludwig Guttmann começou a usar o esporte para reabilitação de soldados amputados, e lança luz sobre esse setor no Brasil. O prefácio foi escrito pelo nadador Daniel Dias, maior medalhista paralímpico do Brasil.


Capa do livro Esporte Paralímpico. Clique para acessar a página da editora Autografia.

‘Esporte Paralímpico – Tornar possível o impossível’, escrito pelo jornalista Claudio Nogueira, publicado em 2017 pela editora Autografia. Foto: Reprodução.


Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.