Violência contra pessoas com deficiência fica invisível na pandemia

Violência contra pessoas com deficiência fica invisível na pandemia

Isolamento dificulta o registro de ocorrências. Flexibilização da quarentena incentiva procura à delegacia da pessoa com deficiência e número de casos relatados à polícia cresce 346% em três meses, diz o Instituto Jô Clemente.

Luiz Alexandre Souza Ventura

20 de julho de 2020 | 11h51


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Descrição da imagem #pracegover: Na área de atendimento da 1ª Delegacia de Polícia da Pessoa com Deficiência, em São Paulo, uma mulher que está de costas para a câmera é recepcionada por um intérprete de Libras e uma integrante da unidade. Ao lado, um homem, também de costas para a câmera, conversa com outro policial. Crédito: Divulgação.


Os relatos de violência contra pessoas com deficiência registrados na 1ª Delegacia de Polícia da Pessoa com Deficiência, em São Paulo, cresceram 346% entre abril e junho, segundo dados do Centro de Apoio Técnico (CAT) coordenado pelo Instituto Jô Clemente (IJC) dentro da unidade. O número de pessoas atendidas pulou de 30 para 134. No total, 39 boletins de ocorrência foram registrados no período.

Esse aumento revela um cenário preocupante na pandemia de covid-19, que ficou escondido por causa das medidas de isolamento e distanciamento social para evitar a contaminação pelo coronavírus.

“Nós percebemos que, no início da quarentena, houve uma queda considerável no número de atendimentos por causa do isolamento social, que impediu a vinda das pessoas com deficiência à delegacia ou até mesmo um contato para denunciar casos de violência”, diz Cleyton Borges, supervisor do CAT.

Os bloqueios de acesso, informa o IJC, resultaram em uma queda de casos apresentados à delegacia e também nos boletins registrados. Foram 136 denúncias em janeiro e somente 30 em abril.

“Com a flexibilização da quarentena, mais pessoas estão nos procurando em atendimentos remotos e presenciais”, comenta Borges. Apenas em maio, de acordo com dados do instituto, 109 pessoas foram atendidas.

“A pandemia tirou as pessoas com deficiência da escola, do trabalho e de outros lugares. Muitos casos de violência não foram identificados por professores, psicólogos, colegas ou outros grupos”, explica Luciana Stocco, supervisora do programa jurídico-social do Instituto Jô Clemente.

“Denúncias surgem após observação de pessoas com as quais as vítimas convivem fora de casa. Sem essa convivência, a violência continua acontecendo, mas não é notada”, afirma Luciana.

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