Você queria ter outro corpo?

Você queria ter outro corpo?

Espetáculo de teatro E.L.A, protagonizado pela atriz Jéssica Teixeira, trata de beleza, saúde, política, feminilidade e acessibilidade para provocar uma reflexão sobre aceitação. "Pretendemos ressaltar potência, existência, singularidades e diferenças de cada um, mulheres, nordestinos, pretos, indígenas, quilombolas, indivíduos com deficiência, periféricos, LGBTs, de todos".

Luiz Alexandre Souza Ventura

03 de julho de 2019 | 17h46


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Descrição da imagem #pracegover: Foto de cena do espetáculo E.L.A que destaca uma peça íntima de vestuário na cor branca e a atriz protagonista ao fundo, desfocada, vestindo roupa vermelha e movimentando o corpo. Crédito: Divulgação.


“Quem nunca quis poder se separar do próprio corpo, poder enxergá-lo de fora e conversar com ele?”, pergunta a atriz Jéssica Teixeira, protagonista do espetáculo solo de teatro E.L.A, que estreia nesta sexta-feira, 5 de julho, no Espaço Cênico do Sesc Pompeia, em São Paulo.

“Será que só eu entro em um estabelecimento e as pessoas começam a olhar para o meu corpo, a conversar com ele antes mesmo de eu dar um oi?”, questiona a artista, que também é coautora do texto e produtora da peça. A direção é de Diego Landin.

“Durante o processo de pesquisa e criação da obra percebemos essas questões, que são independentes do fato de eu ter um corpo singular ou estranho. É universal. Todos nós nascemos e temos que alimentar, carregar, trabalhar e sustentar esse corpo. Querendo ou não, ele é tudo que nós temos aqui. E a gente precisa aprender a lidar com ele”, comenta Jéssica.


Descrição da imagem #pracegover: Foto de cena do espetáculo E.L.A que destaca a atriz protagonista em pé, em um cenário totalmente branco, vestindo com roupa branca. Crédito: Divulgação.


E.L.A, surgiu da investigação cênica do corpo inquieto, estranho e disforme da própria atriz. E de que maneira se desdobra e faz desestabilizar e potencializar outros corpos e olhares. A montagem mescla dramaturgia, artes plásticas e vídeo.

Jéssica debruçou-se sobre o livro ‘O Corpo Impossível’, da pesquisadora Eliane Robert Moraes, para disparar dispositivos dramatúrgicos que expandissem a cena.

“O objetivo de E.L.A é provocar no público um desejo de emancipação individual e coletiva a partir da aceitação das diferenças, driblando os clichês e padrões de beleza impostos pela mídia, além de encorajar um olhar e uma sensibilidade para a diversidade e multiplicidade, fortalecendo assim a construção do ser político que há em cada um”, explica a atriz.


Descrição da imagem #pracegover: Foto de cena do espetáculo E.L.A que destaca a atriz protagonista em pé, com o corpo em movimento, vestindo uma roupa de cor branca sob luz alaranjada. Crédito: Divulgação.


O espetáculo assume uma estética clean, branca, padrão e, aos poucos, vai se desconstruindo para que a sofisticação de um caos interior da personagem salte aos olhos dos espectadores.

Esse caos é proporcionado pelas escolhas dramatúrgicas de como o corpo da personagem se transformará ao longo do espetáculo, onde a transição se inicia a partir da diva pop, passa pelo ciborgue, e chega até a selvageria, inerente a todos os seres.

“Pretendemos ressaltar aos olhos de mulheres, nordestinos, pretos, indígenas, quilombolas, indivíduos com deficiência, periféricos e LGBTs toda a potência e existência de cada um. E aos olhos de todos os outros que não se encaixam nesses perfis a potência de se viver no mundo com pessoas cheias de singularidades e diferenças”, declara a coautora.

SERVIÇO

E.L.A
Estreia: 5 de julho (sexta-feira) – 21h30
Temporada: até 14 de julho.
Horários:
– quinta-feira a sábado – 21h30
– domingo – 18h30
Local: Sesc Pompeia – Espaço Cênico
Endereço: Rua Clélia, 93, Pompeia, São Paulo/SP
Telefone: (11) 3871-7700
Capacidade: 50 lugares
Local não tem estacionamento
Funcionamento da bilheteria:
– terça-feira a sábado – 9h às 21h
– domingo e feriado – 9h às 20h
Ingressos à venda em todas as unidades do Sesc (sescsp.org.br):
– R$ 20,00 (inteira)
– R$ 10,00 (estudante, servidor da escola pública, + 60 anos, aposentados e pessoas com deficiência)
– R$ 6,00 (credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes)

FICHA TÉCNICA

Elenco: Jéssica Teixeira
Direção: Diego Landin
Diretor de Arte: Yuri Yamamoto
Diretor de Videomapping: Pedro Henrique
Consultora dramatúrgica: Maria Vitória
Figurino: Yuri Yamamoto e Isac Bento
Coreógrafa: Andréia Pires
Vocal Coach: Priscila Ribeiro
Escultor: Kazane
Trilha Sonora: Diego Landin (Dancing Barefoot por Fernando Catatau e Artur Guidugli)
Cenotécnico: Marsuelo Sales
Iluminador: Fábio Oliveira
Videoclipe: Gustavo Portela
Música do videoclipe: Saúde Mecânica de Edgar
Textos: Jéssica Teixeira e Vera Carvalho, com fragmentos de Eliane Robert Moraes e Paul Beatriz Preciado
Produção: Jéssica Teixeira
Realização: Catástrofe Produções
Duração: 70 minutos
Recomendado para maiores de 18 anos

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