‘Volúpia da Cegueira’

‘Volúpia da Cegueira’

Espetáculo que estreia neste fim de semana em São Paulo trata da sexualidade das pessoas com deficiência, especialmente com deficiência visual. Peça tem interpretação em Libras e audiodescrição. Público recebe vendas para os olhos e participa de uma experiência sensorial que desmonta os conceitos estabelecidos sobre a intimidade de quem não enxerga. Elenco, diretor da peça e diretor do teatro falam ao #blogVencerLimites sobre acessibilidade, inclusão na cultura e a importância da Lei Rouanet para as produções acessíveis.

Luiz Alexandre Souza Ventura

03 Outubro 2018 | 17h52

Espetáculo que estreia neste fim de semana em São Paulo trata da sexualidade das pessoas com deficiência, especialmente com deficiência visual. Peça tem interpretação em Libras e audiodescrição. Público recebe vendas para os olhos e participa de uma experiência sensorial que desmonta os conceitos estabelecidos sobre a intimidade de quem não enxerga. Elenco, diretor da peça e diretor do teatro falam ao #blogVencerLimites sobre acessibilidade, inclusão na cultura e a importância da Lei Rouanet para as produções acessíveis. Crédito: Janderson Pires.

Espetáculo que estreia neste fim de semana em São Paulo trata da sexualidade das pessoas com deficiência, especialmente com deficiência visual. Peça tem interpretação em Libras e audiodescrição. Público recebe vendas para os olhos e participa de uma experiência sensorial que desmonta os conceitos estabelecidos sobre a intimidade de quem não enxerga. Elenco, diretor da peça e diretor do teatro falam ao #blogVencerLimites sobre acessibilidade, inclusão na cultura e a importância da Lei Rouanet para as produções acessíveis. Crédito: Janderson Pires.


Debater a sexualidade na vida dos cegos e eliminar os estigmas de que as pessoas com deficiência têm uma vida sexual diferente. Essa é a principal proposta do espetáculo ‘Volúpia da Cegueira‘, que estreia neste fim de semana no Teatro J. Safra, em São Paulo, com três sessões especiais a partir desta sexta-feira, 5, até domingo, 7.

A montagem tem interpretação em Libras (Língua Brasileia de Sinais) e audiodescrição, além de todos os recursos de acessibilidade do prédio. No início da sessão, o público recebe vendas para os olhos para participar da experiência de escuridão vivida pelos autores, em uma vivência sensorial que desmonta os conceitos estabelecidos sobre a intimidade de quem não enxerga.

A peça é contemplada pelo Programa Petrobras Distribuidora de Cultura, em parceria com o Ministério da Cultura. Após cada apresentação, elenco e produção participam de um bate-papo com o público, artistas e grupos locais.



“Esse estigma da sexualidade das pessoas com deficiência é uma inverdade absoluta, comprovada com os depoimentos e com o relacionamento entre nós durante todo o processo, além de ser historicamente comprovado de que não há nenhuma relação direta com isso”, afirma Alexandre Lino, diretor da peça.

“A Universidade de São Paulo (USP) tem um tratado que também serviu de matéria-prima para o nosso trabalho. Então, o debate está nesse campo de total igualdade, evidenciado que a cegueira não determina automaticamente a posição de alguém em relação à vida e muito menos no campo da sexualidade”, comenta Lino. “Isso depende exclusivamente do desejo e não da condição”, ressalta o diretor.

No elenco estão Moira Braga e Felipe Rodrigues, que são cegos, além de Max Oliveira e Aléssio Abdon, ambos sem deficiência visual. Na peça, as personagens não são identificas por suas deficiência, exatamente para propor ao público uma troca de papéis e uma reflexão.

“Para esse trabalho, com essa especificidade, fomos buscar dois atores com deficiência visual. Os quatros atores vivem isso na peça. É uma imersão nesse universo da sexualidade na vida dos cegos, pedia atores com um grau de sensibilidade e potência, sem amarras, sem pré-julgamentos, disponíveis para tratar de sexo e de suas diversas possibilidadesde, tema que é tabu sempre, seja na vida dos cegos ou não”, explica o diretor do espetáculo.



Felipe Rodrigues é um dos atores cegos. Sua carreira no teatro teve início na escola, aos 12 anos. “Nessa época, o Instituto Benjamin Constant, onde eu estudava, estava começando a reunir pessoas para o elenco de uma peça infantil. Sempre gostei de arte, só não sabia que poderia me inserir nesta prática. Depois desta peça, não parei mais”, conta o artista.

“Além de ‘Volúpia’, só fiz uma peça que retratava a deficiência visual. Já trabalhei em espetáculos que retratavam vários temas, nem sempre ligados às questões de deficiência”, ressalta Rodrigues.

“Acessibilidade é algo fundamental para podermos levar e receber informação igualitária. Com os recursos certos, podemos acompanhar o cenário cultural como todo mundo e ter mais subsídios para fazer nossos próprios julgamentos”, diz. “Há evolução e estamos no caminho certo, mas essa é uma questão que ainda precisa ser muito mais difundida”, completa o ator.



O diretor Alexandre Lino destaca as normativas do Ministério da Cultura, em especial quando os projetos são beneficiados pela Lei Rouanet. “Questionam tanto, mas é a lei que nos dá o suporte para que possamos trabalhar com esse estrutura”, comenta.

“É uma lei fundamental para nós artistas e ela sempre tem essa preocupação com acessibilidade, sejam dos espaços físicos, ou seja, dos teatros, que têm que ter obrigatoriedade e cumprir essas normativas, e os espetáculos, que também têm que apresentar ao público essas possibilidade de assistir com interprete de libras ou com áudio e descrição e aí o espetáculo torna-se acessível a todas as pessoas sem qualquer restrição.

Lino afirma que, se o espetáculo não é incentivado, torna-se muito difícil incluir recursos acessíveis. “Temos certa dependência dos incentivos”, revela o diretor. “Essa inclusão cria um custo muito alto que, sem aporte, não há condições de oferecer essas outras leituras. É fundamental que haja”, ressalta Alexandre Lino.

“É interessante perceber que a Lei Rouanet, pelo Ministério da Cultura, cuida disso com bastante afinco, no sentido de cobrar de acordo com as normas”, conclui.



COMPARTILHADO – Para Eduardo Figueiredo, diretor do Teatro J. Safra, a responsabilidade sobre a acessibilidade é compartilhada. “Na verdade, é da sociedade, de uma maneira geral. Equipamentos e produtores culturais têm feito um excelente trabalho para atender e receber esse público’, diz o responsável pela casa de espetáculos, que tem toda a estrutura prevista e equipe preparada para receber as pessoas com deficiência.

Para Figueiredo, todos perdem quando não há investimentos em recursos de acessibilidade. “Precisamos humanizar nossa sociedade. E nós, responsáveis por receber esse público, apesar das adversidades e limitações financeiras, buscamos atender da melhor maneira possível. Esse público também é consumidor de cultura e aprecia projetos culturais e entretenimento”, define.

“Ainda há muito que fazer, mas percebo cuidado e preocupação com esse aspecto entre equipamentos culturais e produções. Em uma análise comparativa com o que tem sido feito em escolas e na educação em geral, na saúde, com informações sobre as demandas e necessidades das pessoas com deficiência, há muito pouco avanço e a cultura saiu na frente”, reflete Figueiredo.

“Até pelas normativas e exigências rígidas das leis de incentivo para cumprir essa função. É preciso parar de tratar direitos como favores. Todos pagam impostos. Então, o governo deve garantir as demandas das pessoas com deficiência, assim como de outros grupos excluídos da sociedade, como em qualquer outro pais que tem o humano, o indivíduo, como foco”, completa o diretor do Teatro J. Safra.

SERVIÇO
‘Volúpia da Cegueira’
Direção: Alexandre Lino
Texto: Daniel Porto
Elenco: Moira Braga / Aléssio Abdon / Felipe Rodrigues / Max Oliveira
Local: Teatro J. Safra – www.teatrojsafra.com.br

SESSÕES ESPECIAIS DE ESTREIA
Horários:
– sexta-feira – 21h30
– sábado – 19h
– domingo – 18h

PREÇOS
Plateia – R$ 20,00
Mezanino – R$ 10,00
Mezanino (visão parcial) – R$ 5,00

Endereço: Rua Josef Kryss, nº 318 – Barra Funda – São Paulo/SP
Telefone: (11) 3611-3042
Capacidade; 627 lugares
Abertura da Casa: duas horas antes de espetáculo

ESTACIONAMENTO
Valet Service do teatro – R$ 25,00

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