1,5 mil fazem quebra-quebra na Praia Grande e 6 ficam feridos

Tumulto começou às 2h; 13 pessoas foram detidas e polícia teve de usar gás de pimenta contra os manifestantes

Rejane Lima, PRAIA GRANDE, O Estadao de S.Paulo

02 de janeiro de 2009 | 00h00

As primeiras horas de 2009 foram de caos para centenas de pessoas que festejavam a entrada do ano na Praia Grande, na Baixada Santista. Um tumulto destruiu vários bens públicos e privados na orla da praia, nos bairros do Jardim Guilhermina e Aviação. Treze pessoas foram detidas. Na confusão, três policiais militares e três manifestantes ficaram feridos levemente, sendo medicados e posteriormente liberados.A confusão começou entre 2 e 3 horas na altura do quiosque 36 da Praia da Guilhermina. De acordo com o Boletim de Ocorrência registrado na Praia Grande, cerca de 1.500 pessoas estavam no meio da confusão.Moradora de Varginha (MG), a estudante de Biomedicina Daniela Teixeira, de 29 anos, afirma que nunca viu algo assim. "Estavam atirando pedras e garrafas nos prédios." Quando a confusão começou, ela correu para a beira-mar enquanto os vândalos seguiam pela rua. "Tinham uns três caras de moto que vinham na frente, fazendo barulho e soltando faíscas, como se liderassem o grupo." Várias pessoas que estavam na praia disseram ter chamado a polícia, sem obter retorno.Conforme nota oficial da Polícia Militar, viaturas da Força Tática do 45º Batalhão foram chamadas para conter a manifestação, mas o número de pessoas envolvidas exigiu reforço de viaturas de batalhões vizinhos e o emprego de munição química para conter os manifestantes que se dividiram em dois grupos, um que permaneceu na Rua Nicarágua e outro que seguiu pela Avenida Castelo Branco. O tumulto só foi controlado por volta das 5 horas. A Tropa de Choque da Polícia Militar utilizou gás de pimenta e granadas de som para conter o tumulto.Além do boletim de ocorrência de dano ao patrimônio e resistência, outros dois BOs foram registrados, um por parte da imobiliária Barreto Imóveis, que teve a porta de vidro quebrada, e outro da panificadora Boa Praça, que sofreu diversos danos e não funcionou ontem. A máquina registradora, bebidas e pacotes de cigarros foram roubados da padaria e máquinas de suco e débito automático, garrafas e a estufa de salgados foram quebrados.Proprietário do quiosque 39, Manoel Clemente Neto, de 44 anos, afirma que seu quiosque só não foi destruído porque contrata seguranças, mas mesmo assim calcula que seus prejuízos chegaram a R$ 1 mil. "Eu tinha umas 40 mesas ocupadas e todo mundo saiu correndo e foi embora sem pagar a conta. Alguns retornaram hoje (ontem) para pagar, mas nem todos", disse.Já o dono da lanchonete Sandelícias, Wanderley Zablonski, de 33 anos, calcula prejuízos de R$ 5 mil. Além dos clientes fugirem e não acertarem as contas, a fachada da loja foi apedrejada e mesas e cadeiras foram destruídas. A prefeitura de Praia Grande afirma que os prejuízos públicos só poderão ser contabilizados na próxima semana. Entre os bens destruídos há lixeiras, pontos de ônibus e sinalizações de trânsito.

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