Leonardo Soares/Estadão
Leonardo Soares/Estadão

Um a cada quatro motoristas dirige após beber, diz pesquisa

Incidência é maior entre homens; levantamento da Arteris aponta também que mais da metade dos condutores admitem que usam celular ao volante

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2016 | 11h59
Atualizado 01 Setembro 2016 | 20h50

SÃO PAULO - Um a cada quatro motoristas do Brasil admite dirigir após consumir bebida alcoólica. É o que mostra pesquisa da Arteris, concessionária que administra rodovias como a Fernão Dias e Régis Bittencourt, em São Paulo, sobre comportamentos de risco no trânsito. O estudo revela, ainda, que mais da metade dos condutores usa celular enquanto dirige. Entre as mulheres, 19% afirmaram se maquiar ao volante.

Do total de 1.030 entrevistados, 26,3% disseram que já dirigiram alcoolizados, apesar de a legislação brasileira ser rigorosa. A infração é considerada gravíssima e prevê multa de R$ 1.915,40, além de processo para suspensão da carteira de habilitação. Caso o bafômetro detecte mais de 0,34 miligrama de álcool por litro expelido, o motorista responde criminalmente na Justiça.

Segundo a pesquisa, a incidência da má conduta é maior entre os homens. Enquanto 30,7% admitem beber e dirigir, o índice das mulheres é de 18,3%. Já no recorte por idade, o grupo que mais preocupa é o de até 45 anos, em que 28,5% conduziram sob efeito de álcool. "Se a pessoa já está assumindo isso, é porque esse número pode ser até maior", diz o gerente de operações da Arteris e especialista em segurança no trânsito, Elvis Granzotti.

"A gente cresceu em uma cultura de 'se eu estou bem, consigo dirigir", afirma uma bióloga de 29 anos, que já assumiu a direção do carro após ingerir bebida alcoólica. Segundo conta, ela tem evitado a prática principalmente por causa da Lei Seca em São Paulo. "Acho que é um comportamento que as pessoas vão mantendo até sentir na pele, seja em um acidente ou uma blitz."

As entrevistas do levantamento foram feitas entre os dias 15 e 26 de agosto em todas as regiões do País. A margem de erro é de 3,1 pontos porcentuais. Segundo a Arteris, os dados levaram em conta a distribuição de motoristas no território brasileiro e compreendem rodovias, vias urbanas e rurais.

Insegurança. Para o especialista, outro dado preocupante é que 51,8% dos brasileiros usam celular ao volante - cerca de 10% deles com alta frequência. "Muitos países que tinham conseguido reduzir índices de acidente estão retomando por causa do celular, que tira a atenção no trânsito. E, hoje, as pessoas estão digitando mais.", afirma.

Habilitado para conduzir carro e motocicleta, o professor Jeremias Vinha, de 40 anos, diz que já fez uso do celular enquanto dirigia. "Eu procuro me policiar, mas já aconteceu", afirma. Na percepção dele, o número de pessoas distraídas no trânsito tem aumentado. "Quando eu passo de moto por um corredor, dá para notar que está todo mundo desatento, digitando no celular."

A design de moda Dica Baeza, de 49 anos, conta que já foi vítima da desatenção no trânsito. "Uma moça acabou com a traseira do meu carro, porque estava no celular", diz. Apesar de ter se envolvido na ocorrência, ela não abdica do aparelho quando está no volante. "Eu uso muito, até porque trabalho na rua, falando com as pessoas", afirma. "Eu mesmo nunca bati. Mas é sorte, o celular distrai mesmo."

O levantamento também aponta que 48,7% dos motoristas nem sempre respeitam o limite de velocidade das vias. Por cometer essa infração, Dica já foi multada neste ano. "Até porque só não tem radar na minha garagem", afirma. "Mas, se fosse nos Estados Unidos, a gente não andaria assim, não. Lá, a polícia pega mesmo."

Amiga dela, Helena Juriate, de 53 anos, que também é design de moda, diz que não se sente segura no trânsito. "Eu procuro andar sempre com cautela. Confio em mim, mas nas outras pessoas, não", diz. Para ela, o celular serve como GPS. "Para ligar ou mandar mensagem, é uma vez ou outra."

Segundo a pesquisa, 69,8% dos entrevistados consideram o trânsito perigoso, mas 88,2% acreditam que dirigem com segurança. Desse grupo, cerca de 36% foram multados nos últimos 12 meses. "Os dados mostraram contradições. O resumo é: as pessoas acreditam que acidentes acontecem com os outros; com elas nunca", afirma Elvis Granzotti.

Uma a cada cinco pessoas tem histórico de morte no trânsito na família, de acordo com o estudo. "O acidente acontece por uma soma desses comportamentos, a distração ao volante hoje é muito grande", diz Granzotti.

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