1 ano depois, os mesmos golpes

Escândalo deixou 800 sob suspeita; 9 foram punidos

, O Estadao de S.Paulo

18 Julho 2009 | 00h00

O mais recente escândalo que atingiu o Detran teve como foco a venda de Carteira Nacionais de Habilitação (CNHs) a partir de fraudes no registro de biometria. As investigações apontaram que somente uma impressão digital, por exemplo, foi usada por 1.341 candidatos. Aproximadamente 800 Centros de Formação de Condutores (CFC) e autoescolas estavam sob suspeita no Estado, sendo quase metade na capital paulista. No entanto, passado um ano do escândalo, apenas nove CFCs e quatro psicólogos foram descredenciados. Com base na lista com os estabelecimentos suspeitos, a reportagem do Estado escolheu aleatoriamente alguns e entrou em contato (todas as ligações gravadas) para verificar se as "facilidades" para tirar e renovar carteira ainda eram oferecidas. Apesar de novos procedimentos - como o pré-cadastro feito no Detran e registros de biometria com dez dedos - ter tornado mais difícil a fraude na emissão da primeira habilitação, pelo menos 15 estabelecimentos (de cerca de 20 contatados) garantiram renovação de CNH e reciclagem sem provas e sem frequentar o curso teórico. O custo médio para a renovação de CNHs sai em torno de R$ 170 (são R$ 53 para o exame médico, R$ 35 para a prova e R$ 80 de taxa de renovação). Na autoescola Universitária, localizada no Butantã, na zona oeste, foi oferecido um pacote de R$ 260 para o candidato não realizar provas ou curso. "Você traz o exame médico e a renovação sem fazer a prova", diz a atendente Simone. A proposta mais ousada foi a da autoescola Vila Isa,na zona sul da cidade. A renovação "facilitada" sai por R$ 302. Além disso, se o motorista não quiser fazer o exame médico é só desembolsar mais R$ 150. "Se não tiver problema nenhum, não custa a pessoa ir lá, mas se ela não tiver tempo a gente pode agilizar (veja mais casos ao lado)." Ao serem questionados posteriormente, todas os estabelecimentos negaram as irregularidades e afirmaram que os diálogos gravados foram "mal-entendidos" ou atos de funcionários que agiram por conta própria. "Houve engano, porque não oferecemos esse serviço. É impossível com os registros de biometria", disse Nélson, proprietário da autoescola Universitária. Ele, no entanto, reconhece que a atendente Simone é sua filha. "Quem ofereceu isso está louco. Se você me der o nome, eu mando embora agora", diz o proprietário da Vila Iza, José Valdir Ramos. "Os exames médicos, os cursos e as provas nem são feitas aqui. Vou investigar para ver se tem algum instrutor oferecendo esse serviço, mas com certeza não se trata do nosso estabelecimento."

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