1 em cada 5 pontos de ônibus é destruído por mês em SP

Pichação lidera as incidências; Prefeitura gasta R$ 600 mil com limpeza e manutenção

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

30 Agosto 2008 | 00h00

Um em cada cinco pontos de ônibus em São Paulo é depredado por mês. Dos 19.300 pontos e abrigos da cidade, quase 4 mil são alvo de vandalismo. Pichação e colagem de cartazes lideram as incidências, seguidas por telhas furtadas e amassadas, lixeiras roubadas ou queimadas. O Estado vistoriou dezenas de pontos nas regiões centro, norte e sul da cidade e verificou que praticamente todos os pontos apresentam algum sinal de depredação. Na Avenida 23 de Maio, muitas placas de acrílico foram quebradas para que se roubasse a fiação de cobre ou lâmpadas fluorescentes. Por mês, a SPTrans gasta R$ 600 mil com limpeza e manutenção de pontos de ônibus. Embora a maioria dos pontos depredados (97%) esteja nas ruas, o órgão destina pouco mais da metade dos recursos, R$ 350 mil, para a manutenção daqueles que estão em corredores. Também é aí que a Prefeitura começou, neste mês, um programa completo de recuperação, que vai até novembro e inclui recapeamento, por exemplo, com investimento de R$ 19 milhões. De setembro de 1997 a agosto de 2007, a empresa DMB explorou a publicidade em cerca de 900 paradas localizadas na área que corresponde ao centro expandido. O acordo com a SPTrans previa que a DMB construiria os abrigos e, em troca, exploraria a publicidade nesses locais. Durante esse período, a SPTrans arrecadou R$ 1.548.491,94. Com o fim da concessão e segundo as normas da Lei Cidade Limpa, a DMB teve de retirar os painéis publicitários. No momento, há uma disputa na Justiça pela propriedade sobre os abrigos construídos pela empresa. Para realizar manutenção nesses abrigos, a SPTrans precisa pedir permissão à Justiça. Procuradas pela reportagem, nem a DMB nem a SPTrans se manifestaram. BEM DIFERENTES Não há na cidade uma padronização para os pontos de ônibus. Na Avenida Angélica, por exemplo, é possível encontrar apenas totens - azuis ou vermelhos -, abrigos de concreto e até aqueles com cadeirinhas. "Verificamos resquícios de gestões anteriores na cidade", diz Regina Monteiro, diretora de Meio Ambiente e Paisagem Urbana da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb). Além disso, a cidade tem apenas 1.300 abrigos de ônibus, quando a demanda é de 10 mil. Pensando nisso, a empresa pretendia começar um projeto para a padronização. "Nada impede que a Prefeitura entregue o equipamento pronto e faça a concessão para a empresa. Mas talvez a concessão seja a alternativa mais viável, até porque a Prefeitura tem outras prioridades e não dispõe de um batalhão de funcionários para vistoriar os pontos." A idéia seria criar um banco de dados com projetos arquitetônicos para todo o mobiliário urbano, com o tema "Qual é a cara de São Paulo?", em uma parceria entre a Prefeitura e a seccional paulista do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-SP). A intenção era que as regras para o novo modelo de exploração de publicidade do mobiliário urbano estivessem prontas em julho. No momento, porém, o projeto está engavetado. "Estamos em época eleitoral. Além disso, o licenciamento do ex-presidente do IAB, Joaquim Guedes, e, depois, sua morte, também adiaram o início do projeto", diz Regina. Ela acredita que ele pode ser retomado no próximo ano, já que os candidatos a prefeito se mostraram favoráveis à Lei Cidade Limpa. SEM INFORMAÇÕES "Qual ônibus que desce a Consolação?""É o Barra Funda" , responde pacientemente o funcionário público Severino Honorato Neto, de 54 anos. O ponto na Avenida Doutor Arnaldo, em frente à Faculdade de Medicina da USP, em Pinheiros, zona oeste, não tem informações sobre as linhas de ônibus. A placa usada só para propaganda, antes da Lei Cidade Limpa, está pichada. "A pichação enfeia. Acho que o ponto deveria ter informações e uma lixeira", diz. Para a inexistência de placas com informação, a SPTrans alega que algumas linhas estão sendo seccionadas e itinerários alterados. Na Rua Voluntários da Pátria, em Santana, zona norte, a professora aposentada Maria Souza Guimarães, de 68 anos, se esconde embaixo do toldo de uma loja para se proteger do calor de quase 30°C do meio-dia. "Acho que o ponto deveria ter cadeiras", sugere. De acordo com a SPTrans, a calçada deve ter, no mínimo, 2,5 metros para se cogitar a implantação de um abrigo, além de precisar da autorização do morador ou do comerciante. NÚMEROS 97% das depredações ocorrem nas ruas; as demais, em corredores exclusivos de ônibus 1.300 abrigos de ônibus existem em São Paulo 10 mil deles seriam necessários para atender a população R$ 600 mil são gastos todos os meses pela SPTrans com limpeza e manutenção dos pontos

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