1ª fábrica de fiação de seda será tombada em Sorocaba

Prédio, de 1851, conserva técnicas construtivas do período imperial e está praticamente intocado

José Maria Tomazela, SOROCABA, O Estadao de S.Paulo

08 de janeiro de 2009 | 00h00

O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico de Sorocaba aprovou o tombamento do casarão que sediou a primeira indústria de fiação de seda do Estado de São Paulo. O prédio, conhecido como Chácara Amarela, data de 1851 e conserva técnicas construtivas do período imperial, como estrutura em taipa de pilão e as seis janelas da fachada. A fábrica funcionou quatro décadas antes da chegada das grandes tecelagens que tornaram Sorocaba conhecida como a capital têxtil do Estado. O casarão foi construído por Francisco de Paula Oliveira e Abreu com a ajuda de escravos num terreno próximo do Rio Sorocaba, adquirido em 1849. A seda produzida em Sorocaba, embora por apenas dois anos, ganhou fama pela qualidade. Abreu também fabricou os teares de madeira usados para fiar a seda. Apesar das alterações ocorridas no entorno, o casarão está praticamente intocado e preserva parte da senzala. O prédio, localizado na região do Além-Ponte, é particular e abriga uma empresa de segurança. Um levantamento feito na década de 90 sobre o patrimônio histórico e arquitetônico de Sorocaba não incluiu a Chácara Amarela porque se acreditava que o casarão tinha sido demolido. ACERVOO parecer do conselho levou em conta um laudo de especialistas atestando a relevância histórica e arquitetônica do prédio. O prefeito Vitor Lippi (PSDB) deve enviar à Câmara um projeto para que o tombamento seja efetivado. Com a Chácara Amarela, Sorocaba passará a ter 25 bens tombados pelo município, entre eles o Mercado Municipal, a catedral, a Capela do Divino e o bairro de Aparecidinha. O Estado, por meio do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico (Condephaat), tombou o Casarão de Brigadeiro Tobias, o Mosteiro de São Bento e o prédio da Escola Estadual Antonio Padilha.

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