10 mil visitam a Catedral da Sé restaurada em SP

Fiéis, autoridades, empresários e curiosos movimentaram a Praça da Sé neste domingo para ver de perto o novo visual e assistir à missa de reabertura da Catedral Metropolitana, no centro de São Paulo, celebrada pelo cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Cláudio Hummes. Segundo a Polícia Militar, cerca de 10 mil pessoas passaram pelo local. A igreja tem capacidade para mil pessoas sentadas, mas havia aproximadamente 3 mil no interior. Quem não conseguiu entrar pôde assistir à celebração pelo telão, instalado na praça, ao lado da escadaria da catedral.Abrindo a cerimônia, uma procissão solene de entrada passou pelo corredor central, com 82 padres representando paróquias da cidade e mais 25 cardeais e arcebispos, entre eles d. Geraldo Majella Agnello, de Salvador, e d. Augusto Zini, do Rio. Todos ficaram no altar e auxiliaram na celebração da missa, que durou cerca de duas horas. Os cantos gregorianos e as badaladas dos 61 sinos restaurados, comandadas pelo carrilhador holândes Gerard de Waardt, foram atrações à parte.Após a missa, d. Cláudio disse que faltavam palavras para descrever a emoção de ?celebrar este momento histórico?. ?Espero que ela volte a ser o centro de São Paulo. Tenho certeza que o povo vai responder.?Entre as autoridades presentes, um dos primeiros a chegar foi o governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição. Ao lado da mulher, Maria Lúcia, ele disse que não fez pedido relacionado à política. "Apenas pedi a Deus por luz e proteção em nossas vidas?, disse. ?Sempre freqüentei a Catedral da Sé e é uma emoção vê-la assim toda restaurada. Está muito bonita.?A prefeita Marta Suplicy (PT), acompanhada do namorado, Luís Favre, disse que estava "feliz em ver a catedral linda e repleta de gente". Quanto à segurança na Praça da Sé, ela disse que a meta da Prefeitura é recuperar toda a região, ?torná-la impecável?.Entre as fiéis mais animadas estava um grupo de senhoras da Irmandade do Santíssimo Sacramento, liderado pela provedora Severina Maria Mendes, de 75 anos. Felizes com a reabertura, algumas não conseguiram conter a emoção. ?A igreja está ainda mais bonita?, diziam, com lágrimas nos olhos.Apesar de morar na zona sul, Severina conta que acompanhou toda a reforma. ?Perdi a conta de quantas vezes entrei aqui e chorei. Mas agora não me agüento de tanto contentamento.? Entre as diferenças, ela destaca o fato de as pinturas estarem mais visíveis e o ambiente lhe parecer mais claro. ?Sinto que a igreja está mais aconchegante.?Do lado de fora, uma multidão esforçava-se para ver, pelo telão, o que acontecia lá dentro. Em meio aos fiéis, a física Liliana Piazza, de 56 anos, moradora de Higienópolis, na zona oeste, fotografava os detalhes da arquitetura da igreja. ?Eu não sou católica, vim hoje aqui por curiosidade, para ver como ficou a restauração?, disse.Seguidora da igreja protestante, ela e a mãe, a bibliotecária Zilpha, admiraram a arquitetura gótica. ?Eu me lembro da última vez que entre na catedral, foi em 1975, no ato ecumênico a Wladimir Herzog. Naquela época já estava acabada. Agora, parece outra. Está muito bonita?, lembrou Zilpha. ?É mais modesta se comparada à outras do mesmo estilo, como as da Europa, ou a Saint Patrick, em Nova York?, disse Liliana.O projeto de restauração e recuperação da Catedral Metropolitana, inaugurada em 1954 durante as comemorações do 4º Centenário de São Paulo, foi um dos maiores já realizados no Brasil. Os custos chegaram a R$ 19,5 milhões. Para garantir a obra, foram captados recursos por meio das Leis Rouanet e Mendonça. Além de restauro e saneamento de problemas, como a deterioração física, foram construídos 14 torreões (torres góticas), previstos no projeto, que é de 1912.

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