1/3 das vítimas continua a viver com o agressor

Uma pesquisa realizada na cidade mineira de Uberlândia mostra que o principal motivo que leva mulheres vítimas de violência doméstica a continuar com seus agressores é a esperança de que o relacionamento venha a melhorar no futuro. O medo de ameaças, a situação financeira difícil e a existência de filhos são outras razões. De acordo com os dados levantados, a cada mês pelo menos uma mulher é morta no município nessas circunstâncias. Um terço das 884 mulheres atendidas pela ONG SOS Ação Mulher Família entre os anos de 2001 e 2003 alegou que não rompia com o parceiro porque acreditava em sua promessa de não voltar a agredir. "Há casais que permanecem nesses relacionamentos de violência de 20 a 25 anos ou a vida inteira", diz Marilúcia Vieira Garcia, uma das pesquisadoras. "O laço que os une é diferente daquele que une outros opressores e oprimidos." A ONG atende famílias em situação de violência.O estudo foi desenvolvido pelo Núcleo de Pesquisas em Traumas, Acidentes e Violências da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Além de fichas da ONG, foram usados como fontes de dados 614 prontuários de atendimento médico no Hospital das Clínicas da UFU (onde as mulheres deram entrada por conta dos ferimentos) e 1.138 laudos de perícia de lesões corporais e 25 de necropsia do Posto Médico Legal da cidade. Entre as mulheres assistidas pela ONG, 36,9% disseram que as causas das agressões foram os vícios do marido (em álcool ou drogas, por exemplo); 19,9%, ciúmes; 15%, raiva;12,8%, infidelidade; 5,9%, situação financeira; 2,6%, recusa sexual; e 1,4%, filhos.CÔNJUGESOs agressores são majoritariamente os cônjuges, conforme a pesquisa feita na cidade mineira, sendo que 85% deles batem nas mulheres dentro de casa. As vítimas tinham entre 18 e 39 anos, em 70% dos casos; 41% eram empregadas domésticas ou donas de casa. O levantamento, que foi publicado na última edição da revista Cadernos de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz, levantou 36 mortes decorrentes de agressões entre os anos de 2001 e 2003.

Roberta Pennafort, RIO, O Estadao de S.Paulo

31 de dezembro de 2008 | 00h00

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