1/3 dos locais mais perigosos não tem fiscalização

Contran determina que periculosidade seja levada em consideração na instalação de radares

Eduardo Reina e Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

15 de abril de 2009 | 00h00

Os radares de velocidade são cada vez mais usados por Estados, municípios e polícias para punir motoristas infratores e assim tentar reduzir os acidentes. Na capital, há mais de 400 equipamentos em funcionamento. No entanto, ao se cruzar a lista dos endereços onde estão instalados com a das ruas, avenidas e estradas com mais acidentes fatais, um dado chama a atenção: 36% das vias mais perigosas não têm nenhum tipo de fiscalização eletrônica. Veja mapa, gráficos e o relatório dos acidentes e mortes na cidadeAs resoluções 146 e 214 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) determinam a obrigatoriedade de estudos sobre as vias, antes da instalação dos equipamentos. "Um dos critérios para instalar radares, semáforos e qualquer outro equipamento tem de ser o número de acidentes e vítimas", diz o professor da Unicamp Diógenes Costa, especialista em engenharia de tráfego e legislação de trânsito.Mas 8 das 25 vias que mais registraram acidentes fatais nos últimos três anos não têm nenhum tipo de radar. Quatro delas são ruas e avenidas - quatro são estradas -, como a Engenheiro Armando de Arruda Pereira, no Jabaquara, na zona sul da cidade. Em 2008, houve 14 mortes no local, uma média superior a um acidente fatal por mês. As outras vias desassistidas são a Doutor Assis Ribeiro e Luís Ignácio de Anhaia Mello, ambas na zona leste, e a Avenida Guarapiranga, localizada na zona sul.Atualmente, essas vias são somente pontos de "rota fixa" da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que destina agentes periodicamente para controlar o fluxo local. Por meio de nota, a companhia informou que estava previsto que a Doutor Assis Ribeiro recebesse dois radares pelo contrato assinado em 2007. Mas o negócio foi barrado pelo Tribunal de Justiça, depois que a empresa derrotada na licitação alegou fraudes no processo. A Engenheiro Armando de Arruda Pereira já conta com estruturas instaladas e aguarda somente a homologação da concorrência para que seja iniciada operação. Em relação às demais, a CET afirma que a Anhaia Mello está em obras, portanto não é possível instalar os equipamentos, e a Avenida Guarapiranga não deve receber fiscalização eletrônica, pois já há radares instalados na sua continuação, a Estrada de M?Boi Mirim.TRECHO URBANOAs outras quatro vias sem radares são trechos urbanos de rodovias que cortam a cidade: a Fernão Dias, a Bandeirantes, a Dutra e a Anhanguera. Com exceção da primeira, todas começam a ter fiscalização eletrônica fora do perímetro urbano da capital - como a Dutra, que tem radar um quilômetro antes de se chegar à capital, na cidade de Guarulhos. Uma das mais perigosas, a Rodovia Fernão Dias, está sem fiscalização eletrônica. Além das vias que não têm nenhum tipo de fiscalização, outras das mais perigosas podem receber radares eventualmente, pois fazem parte do rodízio de equipamentos móveis da CET. É o caso da Avenida Robert Kennedy, na zona sul, que é atendida por três pontos de radar móveis.

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