1.300 fretados passam a disputar 14 pontos em SP

Entre as paradas há áreas de grande movimento e até ruas estreitas, o que deve aumentar a lentidão local

Felipe Grandin e Naiana Oscar, JORNAL DA TARDE, O Estadao de S.Paulo

27 Julho 2009 | 00h00

Proibidos de parar na região central de São Paulo a partir de hoje, os ônibus fretados devem agravar os congestionamentos em vias que já sofrem com o trânsito ruim, como a Avenida Doutor Arnaldo, em Pinheiros, e a Rua Heitor Penteado, na Vila Madalena. Cerca de 1.300 veículos que antes se espalhavam pelo centro têm, agora, 14 pontos para o embarque e desembarque de passageiros. Para esta segunda-feira, a Prefeitura ainda aceitou 229 pedidos de exceção às regras, mas não divulgou o número de beneficiados. As paradas ficam no entorno de estações da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Algumas foram instaladas em avenidas movimentadas, como a Nações Unidas, em Pinheiros. Outras em lugares com pouco espaço reservado para os ônibus ou cujo acesso é feito por ruas estreitas, como é o caso da parada da Guilherme Barbosa de Melo, no Itaim Bibi. Especialistas afirmam que o impacto dos fretados no tráfego deve ser transferido. "A tendência é de que o trânsito se concentre nesses pontos, em um horário (de pico) em que já está congestionado", diz o superintendente da Associação Nacional dos Transporte Públicos (ANTP), Marcos Bicalho. As mudanças incomodaram motoristas de fretados, passageiros e quem transita de carro pelos pontos. Na Heitor Penteado, o ponto fica a poucos metros do terminal de ônibus de linha. Se param mais de três veículos ao mesmo tempo, a entrada fica bloqueada, assim como o trânsito na rua. "Mesmo sem fretado, o terminal já fica cheio na hora do rush e a gente tem de dar volta no quarteirão", diz Ronaldo da Veiga, de 42 anos, motorista de ônibus urbano. O que também pode causar problemas é a relação entre a quantidade de vagas e o número estimado de ônibus que deve utilizar cada parada. Os pontos da Rebouças e da Parada Inglesa são um exemplo. Ambos têm espaço para cinco veículos enfileirados, mas no primeiro a estimativa é que parem 25 fretados por dia, enquanto no outro se esperam 179 veículos. ALEATÓRIO A Secretaria Municipal de Transportes (SMT) afirma que "cada ponto foi planejado de modo a absorver a demanda, sem prejudicar o trânsito das vias no entorno". E ressalta que a quantidade de vagas foi determinada com base em estudos que apontaram quantos ônibus, em média, devem chegar simultaneamente em cada ponto. Mesmo que o número de vagas seja suficiente para absorver os fretados alternadamente, não há garantia de que isso vá acontecer, afirmam especialistas. Ao contrário do que ocorre com ônibus de linha, cada empresa define o próprio horário de chegada e saída. Como não há uma escala comum, nada impede que parem ao mesmo tempo no ponto. "É aleatório", diz a coordenadora da Divisão de Trânsito do Instituto de Engenharia, Maria da Penha Pereira Nobre. "Podem chegar 50 ônibus ao mesmo tempo, formando uma enorme fila, e o ponto ficar vazio no restante do dia."

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