Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

15 mil fazem marcha silenciosa nas ruas da Santa Maria

Vestida de branco, multidão andou 8 quilômetros entre o local da tragédia e o ginásio onde os corpos das vítimas foram velados

Diego Zanchetta, enviado especial de O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2013 | 23h19

SANTA MARIA - Depois de chorar a morte de 231 jovens por quase 48 horas, a população de Santa Maria saiu às ruas em um protesto silencioso e comovente nesta segunda-feira, 28, à noite, quando já passavam das 22 horas. Vestida de branco, uma multidão estimada em cerca de 15 mil pessoas, ou 8% de toda a cidade, caminhou 2 quilômetros, do local da tragédia, na frente da boate Kiss, até o ginásio onde os corpos foram velados, na noite anterior.

A marcha era interrompida a cada dois minutos por uma salva de palmas. A homenagem foi organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria - somente dos cursos de Agronomia (26 estudantes mortos) e Veterinária (15 mortos), foram 41 vítimas.

Moradores da cidade engrossaram o protesto. A indignação e a revolta estavam estampados em cartazes que pediam justiça e o fim da impunidade para os responsáveis pela tragédia.

De toda a região central gaúcha, famílias queriam prestar solidariedade aos jovens mortos de Santa Maria. Rostos inchados de choro e cansaço, pais que passaram o dia enterrando seus filhos e estudantes que perderam os melhores amigos eram amparados por quem queria de alguma forma prestar um consolo.

"Somos um povo conhecido pela alegria, até porque os jovens das faculdades sempre contagiaram essa cidade. É muito duro e dolorido", chorava a dona de casa Iara Epstein, de 58 anos. Jovens com violinos entoavam a canção Ave Maria. O hino do Rio Grande do Sul também foi cantado. Estudantes de Odontologia carregavam fotos de duas estudantes mortas na tragédia.

O clima em Santa Maria é de consternação. Lojas permaneceram fechadas ontem. As que abriram, exibiram algum sinal de pesar, como faixas pretas nas vitrines. Os clubes avisaram que não haverá bailes de carnaval. Diante da casa noturna, anônimos deixaram flores e até foto de Adolf Hitler. No fim da tarde, celebração ecumênica reuniu centenas de pessoas na Praça Maurício Cardoso, na região central da cidade. / COLABOROU ELDER OGLIARI

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