15 mil pessoas ocupam as principais vias de Belo Horizonte

Manifestação começou com uma vaia à proposta do prefeito Marcio Lacerda (PSB) de isentar as empresas de transporte público do Imposto Sobre Serviços

Marcelo Portela,

20 de junho de 2013 | 20h20

BELO HORIZONTE - Cerca de 15 mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar (PM), tomaram novamente algumas das principais vias de Belo Horizonte no fim da tarde e noite desta quinta-feira, 20. Os manifestantes ocuparam a entrada da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), passaram pelo Palácio da Liberdade, histórica sede do Executivo estadual e, no início da noite, planejavam seguir em direção à Assembleia Legislativa, que já teve sua escadaria ocupada no dia anterior. Até pouco depois das 19h a PM não havia registrado problemas no protesto.

A manifestação, a quinta em seis dias em Belo Horizonte, começou com uma vaia à proposta do prefeito Marcio Lacerda (PSB), segundo o qual será enviado à Câmara Municipal projeto de isenção do Imposto Sobre Serviços (ISS) para as empresas de transporte público para reduzir em R$ 0,05 o preço das passagens dos coletivos da cidade. Durante a tarde, o governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), também anunciou a redução em R$ 0,15 nas passagens dos ônibus que atendem aos 34 municípios da região metropolitana da capital e são gerenciados pelo Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER/MG).

Nesta quinta-feira, além do custo do transporte público, havia também dezenas de cartazes e faixas contrários à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 37, que restringe os poderes de investigação do Ministério Público (MP). O protesto ganhou a adesão de agentes da Polícia Federal (PF), que, com camisetas com a frase "A ditadura acabou, mas a polícia não mudou" ocuparam parte da Praça Sete de Setembro com faixas e panfletos contra a proposta. "Não é a instituição. Temos um suporte do sindicato, mas somos policiais federais contra a PEC", afirmou um dos agentes, que preferiu não se identificar. A Câmara decidiu adiar a votação do projeto, prevista inicialmente para o próximo dia 26.

Como ocorreu nos dias anteriores, manifestantes hostilizaram pessoas que estouraram bombas e ameaçaram atacar uma agência bancária no percurso da passeata. Responsável pelo policiamento na região onde ocorreu a manifestação de ontem, o tenente-coronel Welton José da Silva Baião, comandante do 1º Batalhão da PM (BPM), contou as próprias lideranças do movimento se comprometeram a identificar e apontar à polícia quaisquer vândalos que tentassem se infiltrar no protesto. "Também foi acertado o percurso que fariam e, da nossa parte, a garantia do direito de manifestar. São muito jovens, mas isso mostra um amadurecimento", avaliou.

Além de estudantes, que compunham a maioria das pessoas presentes no ato, a manifestação também ganhou o apoio de integrantes do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE). A entidade estava proibida de fazer protestos por liminar concedida pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) a pedido do governo estadual, mas, na quarta-feira (19), o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), cassou a decisão. Além dos professores, profissionais de Saúde que não são médicos também engrossaram a multidão, protestando contra o chamado Ato Médico, aprovado pelo Senado, que cerceia a atividade de quem atua na área e não têm formação médica.

Partidos. Um dos momentos mais tensos na manifestação de ontem foi quando surgiram, em meio à multidão, bandeiras do Psol e do PSTU. Algumas pessoas ainda ameaçaram agredir as pessoas que portavam as bandeiras, mas foram impedidos pelos demais manifestantes, que, só com gritos e vaias, fizeram com que as bandeiras sumissem do protesto.

"Tem gente querendo aproveitar para dizer que as manifestações são contra a Dilma (Rousseff, presidente da República). Mas não são. É muito mais que isso. Queremos avançar as transformações e garantir de melhoria nos direitos da população. Não é com a volta do PSDB, por exemplo, que vamos conseguir isso", salientou o médico Bruno Pedralva, de 28 anos.

Em algumas cidades, diretórios do PT também chamaram militantes para promover um protesto, mas a direção do partido em Belo Horizonte descartou a possibilidade. "Não tem nenhum ato em defesa do governo. Chamamos a militância para participar das manifestações suprapartidariamente. Sem bandeiras", ressaltou Geraldo Arco Verde, integrante da Executiva do diretório petista de Belo Horizonte.

Tudo o que sabemos sobre:
protestos, belo horizonte

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.