17 mil deixam casas e 88 mil são atingidos pela chuva em SC

São 32 cidades em estado de emergência por causa do temporal, uma em calamidade pública e 4 mortos

09 de setembro de 2009 | 18h07

Mais de 17 mil pessoas já tiveram que sair de suas casas por causa do temporal que atingiu Santa Catarina entre a noite de segunda-feira, 7, e a terça-feira, 8. São 88.116 pessoas atingidas pelas chuvas em 64 cidades, segundo balanço da Defesa Civil divulgado às 18 horas desta quarta-feira, 9. O Estado tem 32 cidades em estado de emergência. A cidade de Guaraciaba decretou estado de calamidade pública. Quatro pessoas morreram em Guaraciaba por causa das tempestades.

 

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As cidades afetadas e que já decretaram a situação de emergência são: Abelardo Luz, Água Doce, Barra Velha, Calmon, Coronel Martins, Corupá, Dionisio Cerqueira, Entre Rios, Formosa do Sul, Galvão, Ipuaçu, Irani, Itaiopolis, Jupiá, Lebon Regis, Monte Castelo, Ouro Verde, Passos Maia, Ponte Serrada, Quilombo, Rio das Antas, Salto Veloso, Santa Terezinha, Santa Terezinha do Progresso, São Bernardino, São Domingos, São José do Cedro, São Miguel da Boa Vista, Schroeder, Tigrinhos, Vargeão e Vargem Bonita. Guaraciaba está em estado de calamidade pública.

 

Até às 18 horas desta quarta, 54 cidades catarinenses haviam reportado danos à Defesa Civil do Estado. São 88.116 pessoas afetadas, 1.478 desabrigados (pessoas que abandonaram suas casas e estão em abrigos das prefeituras), 16.115 desalojados (pessoas que deixaram suas casas, mas foram para casas de familiares e amigos), 286 deslocadas (quem teve a casa atingida e foi para outro município), 170 feridos e 4 mortos.

 

Temporal destruíu escola em São Miguel do Oeste. Foto: Efe/Governo de Santa Catarina

 

Tragédia em Santa Catarina

 

As fortes chuvas e ventos que atingiram cidades de Santa Catarina trazem à memória a tragédia que o Estado viveu entre os últimos meses de 2008 e o início de 2009. Ao todo, 135 pessoas morreram por causa dos temporais, principalmente em municípios da faixa litorânea do Estado. Por causa dos deslizamentos de terra, alagamentos e transbordamentos de rios, mais de 30 mil pessoas ficaram sem casas na região. Famílias viveram o drama de perder tudo o que tinham.

 

A principal região afetada foi o Vale do Itajaí, banhada pelo rio de mesmo nome. Trechos inteiros de rodovias foram danificados por causa de desmoronamentos de encosta, cidades ficaram incomunicáveis e sem energia por dias. Em período de alta temporada, a estimativa de prejuízo para o setor turístico foi de R$ 120 milhões. Ao todo, a estimativa de perdas para os setores econômicos da região chegou a R$ 300 milhões.

 

Para ajudar no resgate de pessoas e corpos, o Exército, a Força Nacional de Segurança (FNS) e agentes do Corpo de Bombeiros de outros Estados se mobilizaram. Em uma semana, houve 4 mil deslizamentos de terra apenas na região do Morro do Baú, uma das mais atingidas. Com medo de perder tudo o que tinha, famílias se recusavam a deixar suas casas e precisavam ser removidas à força.

 

O restante do Brasil, na época, se mostrou solidário. Várias pessoas colaboraram doando comida, roupas e dinheiro para a reconstrução de lares. No entanto, o espírito de ajuda não foi compartilhado por todos: pessoas responsáveis pela triagem do material doado acabaram recolhendo peças e mantimentos para si. Desde civis até soldados do Exército estavam envolvidos no furto de doações.

 

Depois de tudo, vieram as doenças. Ainda com chuvas, as cidades começaram a viver surtos de leptospirose devido à grande quantidade de lixo e animais mortos que ficaram nas águas. Centenas de pessoas acabaram contaminadas pela doença.

 

Para ajudar na reconstrução das cidades, o governo concedeu benefícios para moradores e empresas das regiões atingidas. Impostos poderiam ter pagamentos adiados; fundos monetários foram liberados para criação do "bolsa enchente" e o governo federal repassou verbas para os Estados e municípios.

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