Bruno Ricci/Governo da Bahia
Bruno Ricci/Governo da Bahia

Dois de Julho: 4 curiosidades sobre a independência da Bahia

Batalha vencida em 2 de julho de 1823 pelas tropas baianas marca início da expulsão definitiva de Portugal, após proclamação oficial da independência por Dom Pedro I

Clara Rellstab, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2019 | 18h04

Celebrada no dia 2 de julho, a independência da Bahia comemora o início da separação definitiva do Brasil do domínio de Portugal pelas tropas do Exército e da Marinha Brasileira, em 1823, em solo baiano. Ocorrida um ano depois da independência oficial do Brasil, proclamada por Dom Pedro I, a revolução foi essencial para expulsar as tropas portuguesas que insistiam em ocupar algumas províncias brasileiras mesmo após a emancipação. 

“Não chegou a ser a última guerra contra os portugueses, porque houve ainda pequenas batalhas em outros Estados. Mas, de fato, foi a mais representativa”, explica o pesquisador e jornalista colombiano radicado na cidade de Salvador, Nelson Varón Cadena, ao Estado. Ele acrescenta que a duração de mais de um ano de batalha reforça o quesito resistência das tropas baianas e o tom de heroísmo por trás da data.

Feriado estadual na Bahia, o 2 de Julho e a luta pela independência são celebrados por uma multidão de baianos que segue em cortejo desde o bairro da Lapinha até o Terreiro de Jesus, no Pelourinho, organizado pela Fundação Gregório de Matos (FGM). Na ocasião, são comuns manifestações político-partidárias e uma forte presença de políticos e cabos eleitorais. 

Neste ano, com o tema “Patrimônio do Povo”, a procissão que acompanha as estátuas do Caboclo e da Cabocla no mesmo carro utilizado para celebrar a vitória na guerra há 196 anos, contou ainda com premiação para as melhores fachadas de casas que estivessem decoradas com a temática do festejo. 

Saiba curiosidades sobre a independência da Bahia

Um ano e meio de guerra 

A guerra pela independência na Bahia começou antes da data em que a proclamação foi oficializada. Historiadores afirmam que a rebelião teve início já em 1820, durante a Revolução do Porto, quando cidadãos portugueses começaram a exigir o retorno do rei d. João VI às terras lusitanas. A batalha propriamente dita, porém, é datada do dia 19 de fevereiro de 1822 e com desfecho em 2 de julho de 1823.

A confusão à época foi tamanha que a Bahia chegou a ter duas capitais. Enquanto Salvador foi tomada pelos portugueses, os brasileiros expulsos de lá fizeram do município de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, uma segunda capital não-oficial do Estado.

 

Mulheres no poder

As duas maiores personagens da independência da Bahia são mulheres. A primeira delas, a abadessa Joana Angélica, morreu tentando impedir a invasão de soldados portugueses ao Convento da Lapa, que abrigava parte da tropa brasileira. 

O historiador Nelson Varón, porém, não acha que os louros dados a ela sejam tão justos assim: “Ela não teve tanta representatividade: estava no lugar errado, na hora errada. Por ser uma freira, foi colocada como heroína”, explica. Joana Angélica, que dá nome a uma das principais avenidas de Salvador, foi morta em fevereiro, meses antes da proclamação da independência da Bahia.

Já Maria Quitéria, a segunda personagem feminina chave do Dois de Julho, é frequentemente comparada à mártir francesa Joana d’Arc. “Maria Quitéria se alistou como homem, lutou a guerra inteira e ainda sobreviveu para contar história”, resume Varón. Natural de Feira de Santana, ela morreu com 61 anos, após ter sido reconhecida como a primeira mulher a entrar em combate pelo Brasil. Em 1996 o Estado brasileiro concedeu a ela o título de patrona do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro.

Caboclo e a cabocla

Símbolo da independência do Brasil na Bahia, o “caboclo” - designação que diz respeito à miscigenação de um índio com um branco - é a figura que lidera a procissão do 2 de Julho. A peça, feita em madeira, que é carregada por uma espécie de carroça até hoje, é a mesma que foi produzida para comemorar a data no primeiro ano após a vitória, em 1924.

A escolha da figura se dá pelo fato de ela representar o “verdadeiro brasileiro”. “Após a guerra, muita gente teve a iniciativa de mudar os nomes para nomes indígenas, para se desvincular das raízes portuguesas. A tradição do caboclo também possui este objetivo, romper com o jogo português”, diz Nelson Varón. 

Em 1946, ao lado da figura do Caboclo, também foi introduzida a Cabocla, após pedido do então Presidente e Comandante de Armas da Província da Bahia, o Tenente José de Souza Soares de Andrea que considerava a figura masculina por si só “deveras agressiva e dominadora”.

Desfile é termômetro político na Bahia

O cortejo de 2 de Julho é conhecido ainda por abrigar manifestações dos mais diversos posicionamentos políticos e servir como uma espécie de termômetro para as futuras eleições, dada à forte presença de figuras políticas na procissão. 

Em 2019, o prefeito ACM Neto (DEM), que deixa a prefeitura no ano que vem, marcou presença, enquanto o recém-reeleito governador Rui Costa (PT) participa de missão internacional na Espanha. 

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