2º dia de greve de trens no Rio é marcado por fila e acusações

TRT multou Sindicato dos Ferroviários por descumprimento de ordem; rodoviários prometem greve para quarta

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2009 | 17h45

O segundo dia da greve dos ferroviários no Rio foi marcado por filas, engarrafamentos e troca de acusações na Justiça entre os ferroviários e a direção da Supervia. O Tribunal Regional do Trabalho do Rio multou o Sindicato dos Ferroviários em R$ 50 mil pelo descumprimento de uma medida cautelar, que obrigava a entidade a assegurar o retorno às ruas de 60% do efetivo de trabalhadores. A ameaça de uma greve na quarta-feira, 15, feita por rodoviários em vários municípios da Baixada Fluminense pode levar o caos ao transporte na região mais afetada pela paralisação dos trens.

 

"A aplicação da multa foi contraditória, pois a Supervia informou pela manhã que o sistema operava dentro do sistema especial nos quatro ramais", protestou o presidente do Sindicato dos Ferroviários, Walmir de Lemos. Ele afirmou que a entidade irá entrar com recurso e deve manter a greve até a readmissão dos dez empregados demitidos pela concessionária.

 

Nesta terça, maquinistas fizeram um protesto em frente ao prédio da Central do Brasil, no centro, e seguiram em passeata até a Assembleia Legislativa onde foram recebidos pelo presidente da casa, o deputado Jorge Picciani (PMDB). A greve teve reflexo nas filas dos pontos de ônibus e no trânsito nas principais vias expressas da Baixada Fluminense, zona norte e Centro. A greve prejudica o transporte de cerca de 500 mil usuários.

 

Um dos responsáveis pelo projeto do Metrô, o engenheiro e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Fernando Mac Dowell disse que a cidade está à beira de um colapso. "O metrô não compra um trem há 10 anos; as barcas transportam 9 mil passageiros por hora, contra 30 mil há 30 anos; e os trens levavam 900 mil pessoas por dia na década de 80 e hoje mal chegam a 500 mil", apontou Mac Dowell.

 

Ele criticou ainda o financiamento de R$ 8 milhões para a reforma de duas barcas anunciado pelo governo estadual e defendeu o investimento em integração entre os transportes como forma de diminuir o preço das tarifas. "O transporte no Rio virou um custo social. Há pessoas com Carteira de Trabalho assinada que dormem na rua por falta de dinheiro para a passagem. Estudos apontam que 35% da população do estado está excluída do sistema de transporte", afirmou Mac Dowell.

 

Para o especialista, atualmente, o transporte é o principal indutor da favelização na cidade, pois muitas pessoas preferem optam por ocupar os morros diante do custo da passagem para voltar para casa em regiões distantes das áreas comerciais da cidade, como o Centro e a zona sul.

 

O secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, disse que os números citados por Mac Dowell são verdadeiros e foram obtidos graças ao trabalho inédito de "severa inspeção" feito pelo governo atual. "Assumimos um Estado com insuficiência total de infraestrutura e conseguimos crescer 30% o número de passageiros nos trens e barcas", disse Lopes.

 

Ele afirmou que a política de integração para diminuição do custo das passagens é uma das metas e que 128 mil passageiros já estão integrados no uso do metrô e trem. Sobre a questão da favelização, o secretário foi enfático. "Os dois governadores mais empenhados na questão da mobilidade no país são o governador Serra, que investe 17 bilhões, e o governador Cabral, que apesar de não ter os mesmos recursos se dedica pessoalmente a esta questão", declarou Lopes.

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