2 mil crianças morrem em acidentes

Atropelamentos e colisões entre carros ou bicicletas correspondem a 40% das causas externas de morte por ano

Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

14 de setembro de 2008 | 00h00

O trânsito é presença constante na lista dos principais problemas das grandes cidades. No entanto, enquanto grande parte da atenção fica voltada para os quilômetros de congestionamentos e em como acabar com eles, um número importante quase passa despercebido: todos os anos, mais de 2 mil crianças morrem no Brasil vítimas de atropelamentos, colisões entre carros ou atingidas quando andam de bicicletas. Essa é uma das razões pela qual a semana do trânsito deste ano - 18 a 25 deste mês - tenha como tema A Criança e o Trânsito.Um estudo da organização não-governamental (ONG) Criança Segura, com base em dados do Ministério da Saúde, mostra que o trânsito é responsável por 40% das mortes por causas externas (as que não são decorrentes de doenças) de crianças e adolescentes de até 14 anos. Há sete anos, o número de crianças vítimas fatais tem caído, mas em um ritmo lento. Em nenhum ano a redução foi superior a 7%. Em 2006, ano do último levantamento, 2.062 crianças morreram nas ruas e estradas de todo País.Os atropelamentos são a principal causa de mortes de crianças no trânsito, respondendo por 48% dos acidentes fatais. O número de meninos vítimas desses acidentes é praticamente o dobro do de meninas e a faixa etária mais atingida é entre 11 e 14 anos. "Os meninos brincam mais pelas ruas, correndo, jogando futebol ou empinando pipa. Por isso, eles são mais vulneráveis que as meninas", diz a coordenadora nacional da Criança Segura, Luciana O?Reilly.As colisões entre os veículos e os acidentes envolvendo ciclistas também são as outras principais causas de mortes de crianças no trânsito, correspondendo a 24% e 22%, respectivamente. Embora seja obrigatório o uso do cinto de segurança, muitas dessas mortes são causadas pela falta desse acessório ou pelo uso errado. Foi o que aconteceu com o atleta paraolímpico Michel Sousa Lima, hoje com 19 anos. Em 2000, o carro em que ele estava com o pai e um tio bateu de frente com um caminhão e o uso errado do cinto de segurança provocou o chamado "efeito chicote", com o acessório comprimindo seus órgãos. Desde então, o jogador de tênis de mesa está paraplégico. "Antes eu era jogador de futebol e até poderia ser profissional. Agora, fui obrigado a mudar de esporte", diz Michel, que passou por uma cirurgia de escoliose e não pôde ir aos Jogos de Pequim. O trânsito também ocupa a terceira posição no ranking de hospitalizações de crianças por acidentes no Brasil. Os atropelamentos mais uma vez dominam as estatísticas, com 53% dos casos, e os meninos novamente correspondem à maioria das ocorrências. O estudo da ONG Criança Segura mostra as regiões do corpo que mais são atingidas em cada tipo de acidente. No caso de atropelamentos, a maior parte das lesões acontece nos membros - 35,9% nos braços e 23,1% nas pernas. A região da cabeça é onde está a maior parte das lesões nos acidentes envolvendo ciclistas - 40,3% - e nas colisões entre automóveis - 39%.

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