20 milhões de brasileiros não têm energia elétrica

Entre quatro e cinco milhões de casas no Brasil, em que vivem cerca de 20 milhões de pessoas, não dispõem de energia elétrica, conforme estimativa apresentada hoje na abertura do 4º Encontro de Energia no Meio Rural (Agrener) na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). No mundo, são cerca de 2 bilhões de pessoas vivendo sem eletricidade em suas casas.Segundo o professor Luís Augusto Barbosa Cortez, da Coordenadoria de Relações Internacionais (Cori) da Unicamp eorganizador do Agrener, o Brasil tem um número elevado depessoas que não dispõem de energia elétrica, e o consumo no Paísé sete vezes menor que o dos Estados Unidos e quatro vezes o daEuropa.Cortez lamentou que, depois do racionamento do ano passado, pouco se fez para reverter a situação de instabilidade. "A falta de energia era um tema popular há um ano, mas já não se fala mais disso. É preciso definir bases para uma política energética. O problema não se resolve sem planejamento", apontou.A demanda por energia é crescente, lembrou o professor, citando um caso em Santa Catarina em que, quando se revolveu o problema do déficit de 12 mil moradias, outras 12 mil novascasas estavam sem energia.Um dos objetivos do encontro, planejado pelo Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (NIPE), que segue até quinta-feira, é discutir alternativas de geração de energiae desenvolvimento sustentável social, econômico e ambiental.Para Cortez, a construção das termoelétricas é uma solução emergencial, mas o Brasil precisa de um programa paralelo para não depender de fontes exclusivas. O professor defendeu a descentralização do atual modelo energético a partir da vocação de cada região. Citou boas experiências com fontes diversificadas como a energia eólica no Nordeste, bagaço de cana no interior de São Paulo, casca de arroz no Sul e óleos no Norte.As vocações devem ser exploradas respeitando questões sociais e de meio ambiente. "É preciso avaliar os impactos causados para minimizá-los, dentro do planejamento sustentável" disse o professor.A programação do Agrener inclui palestras, cursos, workshops, feira de expositores e apresentação de 140 trabalhos sobre o tema. No encerramento será produzido um documento-síntese a ser divulgado pela universidade.

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