2014 pode unir Estevão, Roriz e Arruda

Três personagens polêmicos da história política do Distrito Federal começam a pôr em prática articulações para tentar voltar ao poder

Eduardo Bresciani, O Estado de S.Paulo

28 Agosto 2011 | 00h00

Três personagens polêmicos e envolvidos em escândalos de corrupção começaram a articular nas últimas semanas uma aliança para tentar retornar ao poder no Distrito Federal. O ex-senador Luiz Estevão e os ex-governadores Joaquim Roriz e José Roberto Arruda buscam unir forças para derrotar, em 2014, o PT do governador Agnelo Queiroz e o PMDB do vice Tadeu Filippelli. Estevão teria a plenitude de seus direitos políticos para disputar o governo, mas os aliados ainda estão longe de definir um candidato.

A volta do ex-senador ao círculo político começou no ano passado, quando teve status de conselheiro do clã Roriz durante a campanha eleitoral. Estevão reluta em disputar um cargo eletivo por sustentar o título de único parlamentar cassado na história do Senado, ao ter sido acusado de envolvimento nas fraudes da construção da sede do Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo, em 2000. Ele estará liberado pela Justiça para voltar às urnas em 2014, porém responde a uma série de processos em várias instâncias judiciais.

A articulação de Roriz e Estevão ganhou, nas últimas semanas, uma adesão de peso, segundo relato ouvido pelo Estado. Arruda teria conversado com Roriz por telefone e acertado um armistício. A assessoria do ex-governador não confirma o contato direto, mas um ex-secretário dele contou à reportagem que os grupos ligados aos dois políticos buscam um caminho comum para as próximas eleições no Distrito Federal. Outro ex-assessor de Roriz disse ao Estado que o ex-governador até já montou uma tropa de blogueiros para "começar a falar mal dos adversários".

Vídeo. O fato que teria provocado a reconciliação foi a divulgação do vídeo em que a deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF) aparece recebendo um pacote de dinheiro do delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa. Segundo interlocutores, a divulgação do envolvimento da filha de Roriz no esquema foi interpretada por Arruda como um sinal de que o ex-aliado não era o principal responsável por sua derrocada. Arruda sonharia agora em voltar ao Congresso, possivelmente como deputado.

O projeto inicial de Roriz é disputar a Prefeitura de Luziânia. A intenção é afrontar a Justiça Eleitoral e testar se seu nome seria mesmo barrado pela Lei da Ficha Limpa. Ele renunciou ao mandato de senador em 2006 para escapar de um processo de cassação, após ser flagrado em uma gravação da Operação Aquarela da Polícia Civil negociando recursos com Nenê Constantino, fundador da Gol Linhas Aéreas.

A volta de Roriz a Luziânia é vista como uma espécie de recomeço. O político iniciou sua carreira na cidade do interior de Goiás, onde ainda mantém admiradores. Mas engana-se quem vê na mudança de domicílio eleitoral uma desistência em relação à retomada do poder no DF.

A aposta do trio Roriz-Estevão-Arruda é que o passado deles será amenizado pela exposição negativa dos adversários. Agnelo Queiroz está com os bens bloqueados por suspeitas de irregularidades durante sua passagem no Ministério dos Esportes, no governo Lula. Filippelli tem a biografia ligada à família Roriz e é visto como coparticipante de boa parte das denúncias contra o ex-governador. Neste cenário em que as biografias não são livres de ataques, a aliança entre os três políticos mais polêmicos do DF vem ganhando força.

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