Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

2017 foi o ano que fez a diferença para essas pessoas

Alguns ganharam de coração a emprego enquanto outros superaram da aids ao luto

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

30 de dezembro de 2017 | 16h57

SÃO PAULO - Às 7 horas do dia 15 de setembro, um médico entrou no quarto onde estava a enfermeira Lilian Alencar, de 34 anos. “Fique em jejum. Temos um coração para você”, disse. Internada no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, o Incor, desde julho, ela vibrou de felicidade. 

Depois de dois meses internada à espera de um doador, ela finalmente havia conseguido. Depois da cirurgia, a emoção continuou. “A primeira lembrança que tenho foi quando eu acordei e me dei conta de que estava respirando sem fazer força! O ar fluía naturalmente. Era a felicidade em essência.” 

Foram ainda dois meses até a alta do hospital. Convivendo com uma insuficiência cardíaca grave desde 2006, para Lilian este ano será sempre lembrado como o mais importante de sua vida. “Eu e meu novo coração estamos começando a viver uma vida incrível juntos. 2017 é meu ponto de partida, para o resto da vida. Eu venci.” 

E não foi bom só para ela. O eletrotécnico Kanda Diamala, de 23 anos, é outro que endossa o coro de Lilian. Nascido em Angola, ele vivia uma fase muito difícil em seu país. Ganhava o equivalente a US$ 100 por mês e, com esse dinheiro, precisava sustentar quatro irmãos e os pais. A vontade de tentar uma vida em outro país já o perturbava. “Ouvia muito sobre o Brasil. Angolanos que tinham vindo para cá diziam sobre o acolhimento do brasileiro, que com esforço se consegue emprego.” 

Chegou em 17 de julho. “Trouxe vários números de telefone de angolanos que estavam aqui. Ainda do aeroporto, em Guarulhos, fiquei tentando ligar para eles, mas ninguém atendia”, relembra. “Quatro horas mais tarde, um angolano me viu perdido no aeroporto e me ensinou a chegar ao Metrô Itaquera.” 

De Itaquera, ele não tinha para onde ir. Foram duas noites dormindo na estação do metrô. “Na segunda, roubaram minhas coisas”, diz. Até que um conterrâneo falou para ele sobre os trabalhos assistenciais da Missão Paz, organismo da Igreja Católica no bairro do Glicério que dá apoio a imigrantes.  

Foram dois meses vivendo ali até conseguir um emprego. Desde setembro, Kanda trabalha como faxineiro no Colégio Santa Amália, no bairro da Saúde. “Vou fazer carreira aqui”, celebra ele, que agora ganha um salário de cerca de R$ 1,3 mil. 

HIV superado. Para Diego Vieira, de 22 anos, também foi um ano de transformação, de mudança. Em seu caso, um marco: a formatura. Portador de HIV desde o nascimento, ele acabou a faculdade de Enfermagem na Uninove. “Ao longo de minha vida, pelo fato de ser portador do vírus, fiquei internado pelo menos dez vezes. Esse convívio com o meio hospitalar certamente influenciou em minha escolha profissional”, diz ele. 

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