22% dos presos mortos foram assassinados no Rio

De 2000 até outubro de 2003, 423 presos morreram no sistema prisional do Rio, dos quais pelo menos 93, ou 22%, foram assassinados. Este ano, foram registrados 83 óbitos, sendo 19 de natureza violenta. Os dados constam do relatório elaborado pela Secretaria de Administração Penitenciária em resposta à solicitação da relatora da ONU para execuções sumárias, Asma Jahangir, que esteve no Rio no início do mês e reclamou da falta de informações sobre mortes em presídios.O levantamento, enviado à ONU, não mostra quantas das mortes foram provocadas por agentes. Mas, segundo o secretário Astério Pereira dos Santos, a maior parte foi causada pelos próprios presos. Ele citou apenas dois casos em que guardas mataram detentos: o de Edson Roque Leite Bezerra, que levou um tiro de borracha na cabeça dentro do hospital psiquiátrico, em Bangu, em 2002, e o do chinês naturalizado brasileiro Chan Kim Chang, espancado em setembro deste ano.Em relação às punições aos agentes, o corregedor da secretaria, Cilas Magalhães, informou que, em 2001, foram feitas 158 investigações, das quais apenas quatro se transformaram em inquéritos administrativos. Houve seis arquivamentos e o restante não foi concluído até hoje. Em 2002, foram 349 investigações, com 32 arquivamentos e 20 inquéritos. Este ano, foram 469 investigações, com 56 arquivamentos e 17 inquéritos.

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