23 anos depois, viúva ainda briga na Justiça por indenização

Grávida de seis meses e acompanhada das duas filhas na sala, a mais velha com 8 anos e a outra com 4, Maria Lúcia dos Santos de Oliveira soube da morte do marido pela televisão, em um acidente de um vôo da TAM que vinha de Campo Grande (MS) para Ribeirão Preto e que se chocou na pista de Araçatuba, onde faria escala. ''''A notícia veio de uma forma estúpida, foi um choque muito grande, quase perdi meu bebê'''', recorda a viúva, 23 anos depois, ainda brigando na Justiça pela indenização da companhia aérea.O acidente ocorreu em 7 de outubro de 1983, e a viúva, de 53 anos, sente uma angústia profunda por não ter conseguido ''''dar faculdade a nenhum dos filhos'''' e ''''uma vida melhor a eles''''. ''''Meu marido era supervisor administrativo da Arapuã (então uma das maiores varejistas do País), estava em início de carreira e nos dava uma vida tranqüila'''', diz Maria Lúcia, que atribui o ''''descaso'''' da TAM ao fato de o acidente ter sete vítimas e não ter a mesma repercussão das tragédias recentes.''''A dor é muito grande, não importa a dimensão do acidente. É a perda de um chefe de família. Meu filho nem conheceu o pai, e por mais que você se esforce, não tem como suprir a falta da presença masculina na criação dos filhos. Você perde literalmente o chão'''', descreve a dona de casa, que sofre de câncer de mama. ''''Queria um tratamento digno, queria crer que o dinheiro fosse pago logo, mas depois de tudo já não dá para acreditar em muita coisa.''''A família obteve decisões favoráveis em todas as instâncias da Justiça paulista, reiteradas no Superior Tribunal de Justiça (STJ) desde 1992, que rejeitou todos os da recursos. ''''Já vencemos de todas as formas e a TAM vai recorrendo até não poder mais.''''O advogado da família, Adalberto Griffo, conseguiu a indenização de duas outras viúvas no mesmo caso - uma há seis anos e outra que está sendo paga, pois o valor foi parcelado - e considera ''''uma demora muito grande da justiça brasileira, mesmo com a TAM se utilizando de toda espécie de recurso'''' para postergar a indenização. ''''Há um empenho muito grande nesse caso, já entrei em contato com o STJ e se conseguirmos nova decisão neste mês, acredito que em novembro podemos apresentar os cálculos para a execução da ação.'''' No ano passado, a indenização estava avaliada em R$ 1,2 milhão.Procurada desde sexta-feira, a TAM afirmou que não concluiu o levantamento do caso no departamento jurídico da empresa e por isso não tinha como comentar o assunto.

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