24 corpos já foram resgatados em meio a ''mar de destroços''

Fragata deve chegar hoje a Noronha com 16 vítimas; militares dizem que missão é ''não deixar ninguém para trás''

Monica Bernardes e Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

09 de junho de 2009 | 00h00

Os primeiros 16 corpos resgatados pela força-tarefa coordenada pela Aeronáutica e pela Marinha brasileiras devem chegar hoje ao Arquipélago de Fernando de Noronha (PE) na Fragata Constituição, oito dias após o acidente com o voo 447 da Air France. Ontem, à tarde, as equipes de resgate localizaram mais oito corpos, 440 km a nordeste do Arquipélago de São Pedro e São Paulo. Eles foram recolhidos pela Fragata Bosiso, que já se encaminha para Noronha. A área onde foi localizada a maior parte dos corpos até agora está a 69,5 km do ponto de envio do último sinal de pane do voo 447. Mas alguns corpos já foram resgatados numa área que fica além dos limites jurisdicionais brasileiros, em águas internacionais. Acompanhe todas as notícias e o que já foi publicado a respeito da tragédiaOntem, os militares retificaram a informação anteriormente divulgada sobre a quantidade de corpos resgatados até domingo - de 17 para 16. Até agora, 24 corpos foram localizados e resgatados. A Fragata francesa Ventôse havia notificado à Marinha brasileira, no domingo, o resgate de oito corpos. No entanto, ontem, quando foi feita a transferência das vítimas para a Constituição, em barcos menores, constatou-se que havia sete. A Ventôse também participou na segunda-feira da localização de corpos.Apesar de ter sido tratado com discrição, o erro causou constrangimento entre os militares brasileiros. O mal-estar fez o tenente-coronel Henry Munhoz anunciar que, a partir de agora, só serão divulgadas informações sobre corpos quando estiverem em embarcações brasileiras. "Também não vamos mais informar o sexo das vítimas. Caberá ao Instituto de Medicina Legal (IML) de Pernambuco, se assim o desejar, fazer a divulgação."Em Fernando de Noronha, ocorrerá a perícia inicial nos corpos. Depois, eles serão transferidos de avião até o Recife, onde o governo estadual reforçou a estrutura do IML para absorver a demanda - se essa for demasiada, o órgão, que conta com 105 legistas e 167 peritos, está preparado para transferir as atividades de rotina para hospitais públicos.O número de objetos e pedaços do avião encontrados não para de crescer, o que dificulta os trabalhos. Desde a noite de domingo, alguns destroços de grande porte foram visualizados e içados pelos navios. "Temos sido reportados pelas tripulações, que afirmam que os navios estão circulando em meio a um mar de destroços", destacou o tenente-coronel.O comando militar enfatizou que as buscas continuam de forma ininterrupta e estão concentradas nos pontos onde supostamente foram avistados os novos corpos. "É importante reforçar que, apesar de estarmos concentrando as operações de resgate em uma área perto de São Pedro e São Paulo, continuamos checando outras áreas, onde foram avistados pontos que podem ser corpos. Corpos avistados não serão abandonados em nenhuma hipótese", garantiu o capitão de Fragata Giucemar Tabosa.Às 19 horas, em entrevista coletiva, o comando militar também fez questão de enfatizar seu empenho no resgate. "Em 2006 (no acidente com o Boeing da Gol), tínhamos 154 corpos na Amazônia, que ninguém acreditava que conseguiríamos resgatar. Não deixamos ninguém para trás. Hoje, temos nessa "Amazônia" azul mais de 200 corpos nos esperando. Esperando o nosso resgate. Gostaríamos que todos soubessem que nosso objetivo é não deixar ninguém para trás", afirmou Munhoz.AJUDA INTERNACIONALA Marinha dos Estados Unidos enviou ontem dois aparelhos chamados de "towed pinger locator 30" (localizadores de pinger), que serão colocados em rebocadores, e 19 pessoas para o Aeroporto de Natal, de onde devem partir nos dias 10 e 12 em uma missão para tentar encontrar a caixa-preta do Airbus 330 da Air France. Os pingers são cilindros acoplados às caixas-pretas que, quando submersos em água salgada, emitem sinais acústicos (pings).Os localizadores conseguem detectar pingers que estejam a até 20 mil pés (6.096 metros) de profundidade. A área em que foram encontrados corpos e destroços até agora tem 3.500 metros de profundidade. As caixas-pretas normalmente têm bateria para seu pinger funcionar durante 30 dias.A Marinha e a Aeronáutica brasileiras informaram desconhecer o apoio americano e ressaltaram ter como missão o resgate dos corpos. Prevista para hoje, a chegada do submarino francês Emerade, capaz de operar em águas profundas, só deve ocorrer amanhã. Além de auxiliar na busca por corpos e destroços, o equipamento será fundamental na procura pela caixa-preta.

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