24 horas dançando tango. Sem descanso

O tango é famoso por sua coreografia exuberante, sensual, cheia de gestos dramáticos e passos exagerados. Mas os casais que se reuniram no bar Avenida Club, na zona oeste, para dançar o bailado argentino deixaram esses princípios de lado. Participantes da 2ª Maratona de Tango, eles se submeteram a mais de 23 horas na pista de dança sem direito a descanso. E tudo isso por uma viagem a Buenos Aires, na Argentina. Arrastando os pés descalços, com as pernas bambas sobre o piso, os 11 casais concorrentes tentavam poupar energias. Eles entraram na pista às 21h de quinta-feira e teriam de dançar mais de 450 músicas até as 21h30 de ontem. Ganharia o concurso quem chegasse dançando ao final. Em caso de empate, o público decidiria o vencedor. Por isso, os casais economizavam a milonga para a reta final. "No início fiquei nervosa, mas depois que parei de pensar somente na viagem consegui relaxar", contou a empresária Maria Emília Nogueira, de 27 anos, estreante na pista. Ela havia ido até o bar com a irmã e acabou sendo ´intimada´ a fazer par com o protético Robson Marques, de 38, que havia sido abandonado por sua parceira. Outro que conhecia pouco de tango - mas se esforçava bastante - era o capitão da Polícia Militar Silvio Sciacca, de 37 anos. Ele chegou ao Avenida a bordo de um Mercury ano 1947 e, até o fechamento desta edição, continuava dançando com a professora Thais Marcondes de Oliveira, de 23 anos. Os dois formavam um dos quatro casais que continuavam no páreo. Mas a pista não foi palco só de novatos. Os favoritos também marcaram presença. Os professores de dança de salão Helena Tadeu e Marcelo Siqueira, ambos de 21 anos, vencedores em 2002 ao lado de mais dois casais, davam dicas aos concorrentes. "A receita para agüentar é contar piada e falar no celular com a família", brincou Helena. De acordo com um dos sócios da casa, Walter Manna, o cardápio dos participantes foi feito por um maratonista do Exército. Depois de doze horas cada casal parou para um lanche com banana para evitar cãibras e caldo de galinha. "Além da alimentação leve, o segredo é o homem e a mulher dançarem como tivessem um único pulmão, com a respiração no mesmo ritmo", indicou Manna, dançarino de Tango há 46 anos. Ele disse ainda que é fundamental o homem olhar para os lábios da mulher e ela manter a visão fixa entre as sobrancelhas do parceiro. O evento contou com um repertório de 1.170 músicas. Um engenheiro que estava presente na platéia afirmou que do início da partida até o meio-dia de ontem, os casais percorreram 46,5 quilômetros.

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