240 homens caçam ladrões de armas

Homens de preto, encapuzados e usando luvas - armados com pistolas. 40 de uso exclusivo das Polícias Militar e Civil - conseguiam até a noite de ontem driblar uma força-tarefa formada por 240 agentes de unidades de elite de São Paulo e 85 viaturas, após levarem 22 fuzis, 89 pistolas e projéteis do Centro de Treinamento Tático (CTT), empresa particular em Ribeirão Pires, na Grande São Paulo. A polícia tem poucas pistas sobre o paradeiro da quadrilha e só havia recuperado nas buscas uma pistola .40 (com carregador e balas), um revólver calibre 22, um revólver Magnum 357 e um carregador de fuzil (com 30 balas).O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Ronaldo Marzagão, criticou as condições de segurança e armazenamento das armas. "É um lugar absolutamente inseguro", afirmou, ao sair de uma visita ao CTT, às 2 horas de ontem. O Exército, responsável pela certificação do local, já abriu sindicância para apurar o caso. Segundo Marzagão, as armas do CTT são armazenadas em um local protegido por duas portas com travas mul-t-lock. Ao fim do expediente, um funcionário trava as portas, liga um alarme e vai embora. À tarde, Marzagão foi questionado sobre os contratos do governo do Estado com a GP, empresa responsável pelo centro. O grupo foi fundado pelo policial aposentado Bernardino Fanganiello. No entanto, teria participação do policial do Detran-SP Fábio Fanganiello, filho de Bernardino. "Vamos verificar se ele é funcionário mesmo da empresa. A lei permite que um policial seja sócio-cotista de uma empresa de segurança, só não permite que seja sócio-diretor ou sócio-gerente. Mas isso, se necessário, será investigado pela Corregedoria."De acordo com o depoimento de testemunhas, no fim da tarde de anteontem quatro homens que estavam numa perua Fiorino branca foram até uma chácara vizinha ao CTT. Um dos integrantes do grupo pediu para o proprietário da chácara abrir a porteira, porque eles precisavam resgatar um motoqueiro ferido. Sem desconfiar, a pessoa deixou o carro passar. Enquanto esse grupo entrava pelo matagal, outra parte da quadrilha - quatro homens vestidos de preto - dominava o segurança no banheiro do prédio do centro. O segurança relatou que os criminosos lhe pediram a chave e a senha do cofre no qual estavam as armas. A porta foi aberta, mas a central de monitoramento ligou para o segurança e alertou sobre um procedimento incorreto, ressaltando que uma patrulha chegaria ao local em cerca de 15 minutos. Essa informação apressou os bandidos, que deram início à fuga, levando o segurança e obrigando-o a carregar os fuzis nos ombros. Depois de entrar na mata e se comunicar com os comparsas por rádio, o grupo - que tinha entre 13 e 17 pessoas - amarrou e abandonou o vigia.COLABOROU MÔNICA CARDOSO

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