25 carros quebram por hora nas ruas

Em abril, CET bateu recorde, com 618 veículos removidos; cada incidente pode causar lentidão num raio de 3 km

Fernanda Aranda, O Estadao de S.Paulo

28 de maio de 2009 | 00h00

O número de carros quebrados nas ruas de São Paulo bateu recorde em abril, conforme os dados mais recentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). No mês passado, foram removidos das ruas 618 veículos por dia (72% de carros de passeio) de vias da capital paulista, para não atrapalhar o trânsito. Na média mensal, tiveram pane 12.295 automóveis. Para comparar, em 2008 a média por mês de resgates foi de 11.475 carros. Em 2007, 9.693.Em média, precisam ser removidos por agentes de trânsito 25 veículos por hora - por apresentarem falhas técnicas. A influência desses incidentes é direta nos congestionamentos, uma vez que a cada 15 minutos que o veículo não anda por falha técnica em uma via expressa se provoca no entorno 3 km de lentidão. Ontem, além dos acidentes, o trânsito paulista recebeu um ingrediente a mais: a chuva. E a situação se agravou. O congestionamento das 9 horas bateu o recorde no ano e chegou a 168 km. A marca anterior de 2009 havia sido atingida em fevereiro, com 155 km."Não foi feita pesquisa para identificar o motivo do aumento (nas remoções), mas minha avaliação é de que (o crescimento) é resultante do aumento da frota", diz Cassio Hervé, diretor da Central de Inteligência Automotiva (Cinau), ligada ao Grupo Germinal. "A idade média dos carros da capital é de 8 anos. Mas muitos acreditam que, após a revisão de 1 ano, não é preciso mais fazer manutenção." No entanto, vale ressaltar que a maior parte do aumento de frota registra a entrada de carros zero-quilômetro.De acordo com levantamento feito com 4 mil motoristas pelo Grupo de Manutenção Automotiva (GMA), conforme o carro fica mais velho, o índice de visitas à oficina para manutenção preventiva cai. Quando a idade média do automóvel é de 3 a 4 anos, 51,7% fazem a vistoria, índice que cai para 41% com 8 anos, 39% com 11 e 12 e 37% para veículos com mais de 15 anos. Para Cláudio Marte, do Departamento de Transporte da Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), a frota comercial também sofre sem manutenção. "É preciso ainda que haja um remanejamento financeiro e uma maior parte da tarifa seja usada na manutenção de ônibus", afirma Marte.INSPEÇÃO NACIONALO cenário atual dos veículos paulistanos serve como base para a tentativa do Ministério das Cidades de adotar a inspeção mecânica obrigatória em todo o País. O projeto tramita na mesma resolução da obrigatoriedade da inspeção ambiental discutida pelo governo federal. Hoje, apenas o Rio tem programa parecido. Em São Paulo, a CET faz o serviço gratuitamente, uma semana por mês, mas a participação é voluntária e o número de vagas, restrito. Quatro em cada cinco veículos acabam reprovados.

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