25 de Março agora tem ''escolta'' para compras

Para evitar assaltos, empacotadores das lojas acompanham os clientes

Camilla Haddad, O Estadao de S.Paulo

29 Novembro 2008 | 00h00

Três sacolas imensas nos braços, piscina inflável e uma bolsa a tiracolo. Era assim que Elisete Soares, de 42 anos, estava quando saiu de uma das lojas da Rua 25 de Março, no centro de São Paulo, na terça-feira. No tumulto, ainda parou para pegar o bilhete do metrô e correu o risco de ter a carteira furtada, o que já aconteceu duas vezes em um ano. Para evitar esse tipo de crime, comerciantes têm inovado: eles aproveitam os empacotadores das lojas para escoltar os clientes.Os funcionários - normalmente uniformizados e com radiocomunicadores - fazem parte do pacote de serviços oferecidos pelos comerciantes para "mimar" o cliente e, principalmente, protegê-lo. Com a chegada do Natal, a procura aumenta. É o que afirma o empresário Pierre Sarruf, diretor da União dos Lojistas da Rua 25 de Março (Univinco).Sarruf diz que os empacotadores levam as compras no local indicado pelo consumidor, incluindo metrô, táxi ou carro particular. "Acho que isso ajuda a inibir qualquer tentativa de assalto e outras abordagens", afirma. Elisete não se intimidou com o furto de duas carteiras. "Eu conheço bem a região. Agora ando com a bolsa na frente (do corpo) e sou esperta com malandro", conta a dona de casa. Ela ainda não sabia que empacotadores poderiam ter levado suas sacolas. "O serviço é bem interessante", afirma.O gerente Ondamar Antônio Ferreira, da loja Armarinhos Fernando, também disponibiliza os chamados "carregadores-seguranças" e dá dicas de prevenção. "Dentro das nossas lojas nós emitimos diversos avisos sonoros sobre cuidados para evitar assaltos. Bolsa na frente, sempre fechada e atenção na rua."CONTÊINER DE SEGURANÇA Na Rua Lucrécia Leme, uma travessa da Rua 25 de Março, um contêiner chama a atenção dos consumidores. Trata-se de uma estrutura inaugurada pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) especialmente para o Natal. Ali é possível encontrar guardas-civis e fiscais da Prefeitura. No local, os consumidores podem fazer reclamações de problemas enfrentados na região. O novo serviço é uma parceria da Univinco com a Prefeitura e a GCM. Após as festas de fim de ano, o contêiner será desativado, mas no mesmo lugar uma nova base da guarda poderá ser construída. A informação foi divulgada semana passada pelo secretário-executivo do gabinete de Segurança Urbana, Edsom Ortega. O secretário afirma também que houve reforço de GCM no local. "O número dobrou, mas preferimos não divulgar a quantidade do efetivo", diz.Para ele, a 25 de Março está segura. "Temos o contêiner, a base da PM (na Ladeira Porto Geral) e uma viatura da GCM que foi deslocada para a área durante o Natal." Há ainda o circuito de câmeras de segurança da PM. "As polícias atuam em conjunto no combate aos crimes e na identificação de criminosos. É um trabalho integrado e todo dia acontecem prisões, seja por furto, roubo, contrabando ou venda de carga roubada."Procurada, a Polícia Civil não informou o número de roubos. Apenas divulgou que no último trimestre deste ano 60 pessoas foram presas em flagrante por roubos e furtos na região da Rua 25 de Março. Já a Polícia Militar esclareceu que em novembro do ano passado foram registrados 307 furtos e no mesmo período deste ano, até anteontem, 242. Em relação aos roubos, segundo a PM, houve redução. Houve 22 casos em novembro de 2007 e 11 no mesmo período de 2008 (até anteontem). Mas policiais que estão diariamente ali afirmaram à reportagem que os roubos passam de dez casos por dia. O delegado-titular do 1º DP (Sé), Osvaldo Silva, diz que as vítimas "contribuem" em 80% dos casos de furto. "Elas deixam a bolsa aberta e na parte de trás do corpo", afirma.

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