3 mil jovens participam de baile funk que ocupa rua e escola na zona sul de SP

Toda madrugada de sábado, a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Isabel Vieira Ferreira, no Parque da Primavera, na zona sul, se transforma em um "transódromo", na gíria dos funkeiros que freqüentam o baile semanal em frente à instituição. Os dois quarteirões entre as Ruas Orquídea e Bento José Borba são tomados por 3 mil jovens e crianças, que consomem álcool e drogas.As Polícias Civil e Militar não conseguem acabar com a festa. A Subprefeitura da Cidade Adhemar afirma que o caso é policial. Segundo líderes comunitários do bairro, o evento é organizado por traficantes. O lucro viria da venda de drogas e do "pedágio" que cobram das dezenas de camelôs que vendem bebidas. Cada ambulante paga "pedágio" de até R$ 20. "É injusto, mas se não paga, não fica", diz um ambulante.O baile sempre começa quando um carro com som potente estaciona. "Quanto mais a gente faz o ?créu? (coreografia funk), mas deixamos os meninos loucos", diz Patrícia, de 15 anos, saia curtíssima. Em uma mão a maconha, na outra, uma lata de cerveja. Um casal simula um ato sexual ao dançar. "Ninguém é louco de reclamar, mesmo que a gente veja essa garotada se matando de tanta droga e transando com todo mundo. O que revolta é a escola compactuar e deixar o portão aberto", diz uma moradora. A escola, onde estudam 1,6 mil alunos, fica às escuras, cheia de casais. Jovens se drogam no pátio. "A farinha (cocaína) é mais sossegada aqui", diz um garoto de 11 anos.O delegado titular do 98º DP (Jardim Mirian), Valter Bassoli Carvalho, disse que está tendo dificuldades para encontrar os organizadores e abrir um inquérito por perturbação ao sossego.A Assessoria de Imprensa da Subprefeitura de Cidade Adhemar informou que desconhecia a existência do baile porque não recebeu nenhuma reclamação dos moradores. O diretor da Emef, Marco Antonio Gonçalves Gabriel, também disse não ter conhecimento do baile. "Vou conversar com os meus superiores. Mas não vejo o que posso fazer. Isso é um problema maior, social, que foge da escola", disse.

Marici Capitelli, Jornal da Tarde, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2008 | 00h00

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